√ O espetáculo Guélédé

Dezembro 12 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A mulher Yorùbá (3)

Para os yorùbás, a mulher está intrinsecamente ligada à maternidade e dessa forma ao mistério da vida, simbolizado pela menstruação. Pelo mistério da vida que lhe é intrínseco, a mulher é tida como potencial membro do culto a Ìyá-mì, isto é, como membro da Sociedade Guélédé, de que falaremos mais adiante. É então legítimo afirmar que maternidade e culto de maternidade são duas faces de uma mesma realidade, nos seus campos biológico e sagrado. O poder simbólico da maternidade é também alvo de atenção artística, porquanto os valores e as representações estéticas interpenetram todas as esferas da vida yorùbá. Desta forma, no culto de Ìyá-mi se apresentam duas imagens poderosas: o ajoelhamento (Ìkúnlẹ̀ Abiyamọ) que simboliza a posição e a dor do parto (poderosa invocação de força de acção) e a amamentação (ọmú ìyá) que representa o sagrado leite da vida que alimenta os filhos.

Dezembro 09 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Perspetiva interior

Os novos cientistas sociais, observadores da realidade religiosa de uma janela exterior, vêem-se a si mesmos como posicionados num patamar acima dos observadores internos, considerando-se como mais bem preparados para compreender o campo sócio-teológico do objeto de análise. Ora, esquecem-se que a informação que buscam e que mais validam (isto é particularmente evidente no caso Yorùbá) é precisamente aquela construída de uma perspetiva interna. Informações construídas de fora resultam, não raras vezes, na construção de validades científicas fraudulentas – com a passagem continuada de mitos em torno dos Òrìsà que foram construídos por missionários cristãos. Esquecem-se que de fora só vêem aquilo que lhes é dado a ver, da maneira que lhes é dada a perceber. Chegam a ser ingénuos os espíritos académicos distanciados.

Novembro 20 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Fundação de Òyó

Segundo Stride e Ifeka (1971), Oranmiyan, na altura segundo príncipe de Ifé, terá feito um acordo com o seu irmão a fim de que lançassem um ataque aos vizinhos do norte por insultos a Oduduwa, seu pai e Oniiife. Mesmo a mesma narrativa, os dois irmãos terão encetado uma briga entre eles durante a expedição, da qual resultou a divisão do exército entre os dois comandantes. Como o exército de Oranmiyan não possuía um número capaz de enfrentar o desafio do combate, eles vagaram toda a costa sul até à chegada de Bussa. Foi na costa sul que Oranmiyan se encontrou com um chefe local que lhe ofereceu uma cobra com um encanto/feitiço preso ao pescoço. Segundo indicações do chefe local, Oranmiyan deveria seguir a cobra até que ela parasse e permanecesse num lugar por sete dias ao cabo dos quais ela desapareceria no solo. Oranmiyan seguiu o conselho do chefe e fundou Oyó, entregando a governação de Ilê-Ifé a Adimu, que se tornou o rei de uma nova dinastia de gbogbo Oníìfè, isto é, de todos os reis de Ifé.

Novembro 04 2009 | Antropologia | No Comments »

√ A mulher Yorùbá (2)

(…) Na organização dos reinos fons e nagô-ioruba, as mulheres desempenham um papel ativo, eram elas que administravam o palácio real, assumindo os postos de comando mais importantes, além de fiscalizarem o funcionamento do estado.

Silveira (2000)

Outubro 06 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A mulher Yorùbá – casamento e fé

(…) Na organização social ioruba, que é polígama, contrariamente ao conceito que pessoas mal-informadas fazem, as mulheres usufruem uma maior liberdade que a que se dá nas uniões monigâmicas. Na grande casa familiar do esposo, elas são aceitas como progenitoras dos filhos, destinadas a perpetuar a linhagem familiar do marido. Mas elas nunca aí são totalmente integradas, deixando-lhes esse fato uma certa independência. Após o casamento, elas continuam a praticar o culto de suas famílias de origem, embora seus filhos sejam consagrados ao deus do cônjuge.

Pierre Verger (1986)

Outubro 06 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A Mulher Yorùbá

(…) Percebe-se, assim, que o papel da mulher ioruba vai além do desempenhado nas atividades econômicas. Ela é mediadora, não só da troca de bens econômicos, como também de bens simbólicos. O lugar social ocupado pela mulher ioruba, sem sombra de dúvida, possibilita-lhe o exercício de um poder fundamental para a vida africana.

“Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu” Teresinha Bernardo

Outubro 03 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ E Olorun criou o mundo…

QUANDO Olorun decidiu criar a terra, chamou Obatala (O Rei do Pano Branco), entregou-lhe o “Apo iwa” (bolsa da existência) e deu-lhe instruções necessárias para a realização da magna tarefa da criação do mundo. Obatala então convocou os outros Orisa (Orixás) para irem com ele. Oduduwa disse que antes de viajar tinha que dar uma obrigação. Todos os Orisa partiram e Oduduwa ficou. No caminho “Obatala” encontrou Esu, o Orisa transportador de sacrifícios que domina os caminhos. Esu lembrou a Obatala que este se tinha esquecido de dar obrigações antes de viajar. Obatala não ligou e seguiu viagem… E foi assim que Esu sentenciou que nada do que Obatala se propunha a fazer seria realizado. Mais adiante Obatala sentiu sede mas não parou… Passou por um rio, mas não parou. Passou por uma aldeia onde lhe ofereceram leite, mas ele não aceitou. A sede foi ficando insuportável. De repente Obatala viu igi ope. Sem conseguir se conter diante da sede, abriu o tronco da palmeira com seu opa soro (cajado). E bebeu o vinho da palma, até desmaiar. Enquanto isso Oduduwa foi consultar Ifá/Orunmila, que lhe mandou realizar uma série de obrigações.

Levou Oduduwa cinco galinhas, das que têm cinco dedos em cada pé, cinco pombos, um camaleão, dois mil elos de corrente e todos elementos que acompanham o sacrifício. Orunmila apanhou estes últimos e uma pena da cabeça de cada ave e devolveu a “Oduduwa” a corrente, as aves e o camaleão vivos. A última coisa que Oduduwa tinha que fazer era levar uma oferenda a Olorun. Quando Olorun viu Oduduwa encolerizou-se, dizendo que tinha dado ordens para que todos os Orisa acompanhassem Obatala. Oduduwa explicou que estava seguindo o conselho de Ifa. Olorun então aceitou a oferenda. Nesse momento, Olorun lembrou que tinha esquecido de colocar no Apo Iwa (bolsa da existência) um pequeno saco contendo terra, um dos elementos fundamentais para a criação do mundo. Pediu então a Oduduwa que levasse o saco e entregasse a Obatala. Oduduwa partiu e encontrou Obatala ainda desmaiado, na beira do caminho, com os outros Orisa à sua volta sem saber o que fazer. Oduduwa tentou acordar Obatala mas não conseguiu. Oduduwa, então, levou o saco de terra de volta para Olorun. Olorun ouviu o relato de toda a história e decidiu entregar o saco a Oduduwa, com terra, num saco ou concha de igbin (caracol) uma galinha e um dendezeiro (palmeira). Oduduwa pegou então no saco, foi até o lugar determinado por “Olorun” e criou a terra. “Oduduwa” lançou a terra sobre a água, e nela colocou a palmeira e enviou Eyele, a pomba, para esparramá-la. Eyele trabalhou durante muito tempo. Para apressar a tarefa, Oduduwa enviou as cinco galinhas de cinco dedos em cada pé. Estas removeram e espalharam a terra imediatamente em todas as direções, à direita, à esquerda e ao centro, a perder de vista. Elas continuaram durante algum tempo. Oduduwa quis saber se a terra estava firme. Enviou o camaleão que, com muita precaução, colocou primeiro uma pata, tateando, apoiando-se sobre esta pata, colocando a outra e assim sucessivamente até que sentiu a terra firme sob suas patas.

“Ole”? “Kole”?
Ela está firme? Ela não está firme?

Quando o camaleão pisou por todos os lados, Oduduwa tentou por sua vez. Oduduwa foi assim o primeiro Orisa a pisar na terra. Durante esse tempo, Obatala acordou e vendo-se sem o “apo iwa”, retornou a Olorun, lamentando-se de ter sido despojado do saco da criação. Olorun tentou apaziguá-lo e em compensação transmitiu-lhe o saber profundo e o poder que lhe permita criar todos os tipos de seres que iriam povoar a terra.

Setembro 28 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

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