√ Axé

É a força que assegura a existência dinâmica, que permite o acontecer e o devir. (…) É o princípio que torna possível o processo vital. Como toda a força, o àṣẹ é transmissível; é conduzido por meios materiais e simbólicos e acumulável.

# Juana Elbein dos Santos

Janeiro 29 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Monoteísmo Yorùbá

Cada divindade é adorada não apenas pelos seus filhos, mas também por estranhos que procuram seu poder; por exemplo, pessoas que não são do sangue de Xangô, procuram, não obstante, a ajuda de Xangô contra a tempestade. E quando a varíola está grassando, todos buscam o socorro de Xapanã. (…) Os orixás parecem, ao observador, formar um panteão como os deuses gregos (Entretanto, de um ponto de vista do crente nos orixás, que é geralmente devoto de um determinado orixá, a reunião de cultos de orixás deve parecer uma reunião de monoteísmos). Por essa época os orixás são também comparados aos santos da Igreja Católica e considerados como intermediários entre a humanidade e Deus.

# Pierre Verger

Janeiro 27 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ O poder da palavra

Naturalmente, o poder da palavra de um homem depende de como ele utiliza sua fala. O poder criador e operativo da palavra encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem, no mundo que o cerca e na relação entre o homem e o mundo. Por isso a mentira é considerada uma verdadeira lepra moral. A língua que falsifica a palavra vicia o sangue daquele que mente. Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo, rompendo a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica. Cria desarmonia ao redor de si e em seu próprio interior.

# Ronilda Iyakemi Ribeiro in “Alma Africana no Brasil”, p.46

Janeiro 18 2010 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Guélédé

o espetáculo gueledé originou-se em Keto, onde Iyá Nlá praticava uma dança com uma escultura na cabeça, a qual atraía a atenção de muitas mulheres e crianças. Quando Iyá Nlá morreu, a obrigação de continuidade da dança ficou a cargo do seu marido, Babá Abọrè. De forma fantástica, logo depois que Babá Abọrè fez a apresentação, a prosperidade de sua comunidade mudou drasticamente para melhor: mulheres inférteis tornaram-se mães; os campos deram colheitas fartas; os caçadores e pescadores abatem muitos animais; as doenças deram lugar à saúde e houve uma redução significativa da mortalidade infantil. Então, os anciãos dedicaram um templo a Iyá Nlá e imploraram a Babá Abọrè que fizesse a apresentação anualmente. Depois que Abọrè morreu, uma estátua sua foi colocada ao lado da de Iyá Nlá, no mesmo altar. Assim, tornou-se uma tradição que as máscaras dancem em pares masculino-feminino, remetendo a esse casal mítico.

# JUNIOR, Ademir Ribeiro. Parafernália das mães-ancestrias (…), Univ. São Paulo

Dezembro 15 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ O espetáculo Guélédé

Dezembro 12 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A mulher Yorùbá (3)

Para os yorùbás, a mulher está intrinsecamente ligada à maternidade e dessa forma ao mistério da vida, simbolizado pela menstruação. Pelo mistério da vida que lhe é intrínseco, a mulher é tida como potencial membro do culto a Ìyá-mì, isto é, como membro da Sociedade Guélédé, de que falaremos mais adiante. É então legítimo afirmar que maternidade e culto de maternidade são duas faces de uma mesma realidade, nos seus campos biológico e sagrado. O poder simbólico da maternidade é também alvo de atenção artística, porquanto os valores e as representações estéticas interpenetram todas as esferas da vida yorùbá. Desta forma, no culto de Ìyá-mi se apresentam duas imagens poderosas: o ajoelhamento (Ìkúnlẹ̀ Abiyamọ) que simboliza a posição e a dor do parto (poderosa invocação de força de acção) e a amamentação (ọmú ìyá) que representa o sagrado leite da vida que alimenta os filhos.

Dezembro 09 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Perspetiva interior

Os novos cientistas sociais, observadores da realidade religiosa de uma janela exterior, vêem-se a si mesmos como posicionados num patamar acima dos observadores internos, considerando-se como mais bem preparados para compreender o campo sócio-teológico do objeto de análise. Ora, esquecem-se que a informação que buscam e que mais validam (isto é particularmente evidente no caso Yorùbá) é precisamente aquela construída de uma perspetiva interna. Informações construídas de fora resultam, não raras vezes, na construção de validades científicas fraudulentas – com a passagem continuada de mitos em torno dos Òrìsà que foram construídos por missionários cristãos. Esquecem-se que de fora só vêem aquilo que lhes é dado a ver, da maneira que lhes é dada a perceber. Chegam a ser ingénuos os espíritos académicos distanciados.

Novembro 20 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Fundação de Òyó

Segundo Stride e Ifeka (1971), Oranmiyan, na altura segundo príncipe de Ifé, terá feito um acordo com o seu irmão a fim de que lançassem um ataque aos vizinhos do norte por insultos a Oduduwa, seu pai e Oniiife. Mesmo a mesma narrativa, os dois irmãos terão encetado uma briga entre eles durante a expedição, da qual resultou a divisão do exército entre os dois comandantes. Como o exército de Oranmiyan não possuía um número capaz de enfrentar o desafio do combate, eles vagaram toda a costa sul até à chegada de Bussa. Foi na costa sul que Oranmiyan se encontrou com um chefe local que lhe ofereceu uma cobra com um encanto/feitiço preso ao pescoço. Segundo indicações do chefe local, Oranmiyan deveria seguir a cobra até que ela parasse e permanecesse num lugar por sete dias ao cabo dos quais ela desapareceria no solo. Oranmiyan seguiu o conselho do chefe e fundou Oyó, entregando a governação de Ilê-Ifé a Adimu, que se tornou o rei de uma nova dinastia de gbogbo Oníìfè, isto é, de todos os reis de Ifé.

Novembro 04 2009 | Antropologia | No Comments »

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