√ João Grande

João Oliveira dos Santos nasceu a 15 de Janeiro de 1933, em Itagi,no interior da Bahia, e recebeu o nome João Grande do grande Mestre Pastinha. João Grande passou por inúmeras dificuldades financeiras derivadas da sua origem social o que lhe impediu de praticar capoeira durante algum tempo. Em 1981, Mestre Moraes, um dos seus seguidores, encontrou-o. Mestre João Grande foi levado para os EUA e foi convidado a participar do Festival de Arte Negra de Atlanta. Então, João Grande passou a morar em Nova Iorque e criou a sua própria escola, a Capoeira Angola Center. Após o reconhecimento pela sua arte, o mestre João Grande ganhou o título de doutor honoris causa pela Universidade de Upsala, em Nova Jersey. Waldeloir Rego sobre ele escreveu, em 1969: “é dentre todos os grandes capoeiristas jovens o que mais truques de ataque e de defesa conhece, contribuindo para isso a flexibilidade fora do comum de seu corpo, tornando-o o mais ágil de todos os capoeiras da Bahia. Quando em pleno jogo é um grande bailarino. Canjiquinha (…) saiu com um tipo de frase muito sua, de que: – ‘Foi Deus quem mandou João Grande jogar capoeira’.”

Janeiro 19 2009 | Identidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Abdias do Nascimento

A

bdias Nascimento nasceu em 14 de março de 1914 em Franca, São Paulo. Filho de uma doceira e um sapateiro, desde cedo, já lutava por seus objetivos e ideais.  Adolescente, foi para São Paulo e logo se engajou em movimentos afros, sendo um dos fundadores, aos 17 anos, do mais histórico deles, a Frente Negra Brasileira. É  considerado um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil, intelectual de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde o movimento integralista, passando por atividade de poeta  até ativista do Movimento Negro, ator (criou em 1944 o Teatro Experimental do Negro) e escultor.

Organizou a Convenção Nacional de Negro em São Paulo e Rio de Janeiro em 1945, 1946, respectivamente, e o 1º Congresso do Negro Brasileiro no Rio de Janeiro em 1950. Entre 1949 e 1951, publicou o Jornal Quilombo. Participou em vários eventos internacionais do mundo africano e do 2º Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas em 1977. Em 1980, contribui para a fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Um ano mais tarde, foi escolhido vice-presidente e fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros. Como deputado federal entre 1983 e 1986, apresentou projeto de lei que previa a criação de cotas de 20% para negros na seleção de candidatos ao serviço público. Entre 1991 e 1994, assumiu o cargo de secretário Extraordinário de Estado de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Seafro) do Rio de Janeiro. Foi eleito, também em 1991, senador da República e ocupou o cargo de secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania do Rio de Janeiro em 1999.

Entre os títulos já concedidos ele por universidades estão o de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em 1993, e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2000. Em 2001 recebeu o  prêmio Mundial Herança Africana, Schomburg Center for Research in Black Culture e o Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz. Em 2004 recebeu o prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom – South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul. Além disso, foi reconhecido pela Presidência da República, neste mesmo ano, como maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo.


Fontes: Site Abdias Nascimento, Portal Alfro.

Janeiro 15 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Suzanne Wenger, a morte de uma mulher excepcional

Aos 94 anos Suzanne Wenger, Adunni Olorisa, juntou-se ao plano do sagrado no orún. Nascida na Áustria, Suzanne Wenger, encontrou-se com a sua identidade em Osogbo (Oxogbô) na Nigéria, onde durante sessenta anos foi uma promotora da identidade, da cultura, da religião e da arte Yorùbá, tendo sido ainda uma impulsionadora da preservação da floresta e das grutas sagradas em Osogbo. Suzanne Wenger era sacerdotisa do Orisa Òsun (Oxum).

Janeiro 13 2009 | Identidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Rodolfo Martins de Andrade

Bàngbóșé Òbìtìkó

B

àngbósé Òbìtìkó, é talvez o nome masculino mais significativo da tradição iorubá no Novo Mundo, superando Martiniano Eliseu do Bonfim. Baptizado de Rodolpho Martins Andrade, consagrado ao Òrìșà Sàngó, Bàngbósé veio de África no século XVII com Ìyá Nàssó, Ìyá Detà e Ìyá Àkàlà, com as quais plantou o Ìylé Asè Ìyá Nàssó Òkà, a Casa Branca do Engenho Velho. Poderoso bàbáláàwó, Bàngbósé representa a velha tradição masculina do Candomblé, anterior à influência das práticas espíritas e à Umbanda. A sua linhagem mantém-se hoje, através de Pai Air José Souza de Jesus (Bísilòlá), do Ilé Odo Ogé, o Terreiro do Pilão de Prata e Mãe Haydée dos Santos, prima de Air, que dirige o Ilé Lajoumim.

Novembro 26 2008 | Religiosidade Afro-Brasileira | 2 Comments »

√ Mãe Stella

Maria Stella de Azevedo Santos, Iyá Odé Kayode, nasceu a 2 de Maio de 1925, na cidade de Salvador, Bahia, e foi a quarta filha do casal Esmeraldo Antigno dos Santos e Thomázia de Azevedo Santos. Por ser a segunda filha mais nova do casal, cedo ficou órfã, tendo sido adoptada por sua tia, Archanja de Azevedo Fernandes. Iniciada no Candomblé por Mãe Senhora (uma das mais famosas Iyalorixás de sempre) no Iylê Axé Opô Afonjá, o segundo templo de Candomblé na Bahia, nascido directamente da Casa Branca do Engenho Velho, em 1939, com 13 anos de idade. A 19 de Junho de 1976, sucede a Mãe Ondina de Oxalá, passando a dirigir o tradicional templo de São Gonçalo do Retiro.

Enfermeira de profissão, estudou na Universidade Federal da Bahia, onde se especializou em Saúde Pública, onde recebeu o título de Doctor Honoris Causa, no ano de 2005. Iyá Stella ficou famosa pela sua luta pela «africanização» do culto afro-brasileiro, Candomblé. A africanização consiste na remoção de elementos católicos da identidade africana do Candomblé, particularmente a questão do sincretismo das divindades. Em 1980 fundou o Museu Ohun Lailai, o primeiro museu dentro de um terreiro de Candomblé. Para além da chefia do Axé Opô Afonjá assume a direcção do Instituto Alaiandê Xirê. Iyá Stella tem viajado pelo Brasil e exterior participando de eventos afro-culturais e dando palestras. Em 2001 ganhou o prémio «Estadão» na condição de promotora cultural. É detentora da comenda Maria Quitéria, atribuída pela Prefeitura de Salvador, da Ordem do Cavaleiro, atribuída pelo Governo da Bahia e da comenda do Ministério da Cultura brasileiro.

Segue a entrevista de Iyá Stella ao blogue «Povo de Santo»:

Numa manhã de quarta-feira, entre uma consulta e outra, Mãe Stella de Oxóssi nos recebeu na casa de Xangô e falou sobre o sacerdócio, a história do candomblé baiano e do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. A conversa não pôde ser longa, porque, como sempre, uma fila de pessoas aguardava por seus conselhos. Ao seu lado, o inseparável pastor alemão. Iniciada na religião dos orixás há mais de 60 anos, Maria Stella Azevedo dos Santos é mesmo uma mulher singular. Assim como fizeram suas predecessoras no Afonjá, Mãe Stella mantém a tradição religiosa herdada da África com uma seriedade que faz desse terreiro um referencial para todo o candomblé. Uma tarefa que, garante ela, a absorve integralmente. A autora de livros, enfermeira e funcionária pública aposentada tem que dividir o seu tempo entre as atividades religiosas, as consultas e as solicitações de entrevistas, palestras e conferências em vários países. Com voz branda e uma fluência verbal invejável, ela revela a clareza e inteligência que a tornaram uma líder religiosa respeitada em todo o mundo. Mas, para as crianças do Afonjá, ela é apenas a “Tia Stella”.
por Agnes Mariano
AM – Nas comunidades religiosas nagôs, as mulheres têm um papel muito importante, diferente do que acontece em outras sociedades e outras organizações religiosas. Gostaria que a senhora falasse por que isso acontece. É uma tradição que veio da África? Em que a mulher é diferente do homem? Porque elas têm esse papel?
MÃE STELLA – Veja bem, eu vou falar do Brasil e da Bahia, de algumas casas onde o valor, a liderança feminina é maior. Isso se deve às pioneiras do candomblé no Brasil, três mulheres que depois da libertação tiveram condições de abrir uma casa para culto aos orixás. Elas é que formaram a primeira casa que se tem conhecimento da nação iorubá no Brasil, que seria a Casa Branca. Então, essa casa foi crescendo, fazendo muitos filhos e ficaram essas três senhoras como responsáveis. Daí vem o valor feminino, porque essa casa tinha a característica de não iniciar homens. Se não iniciava homens e todos eram do gênero feminino, é lógico que não podia ter homem na direção. Então, a casa foi crescendo e sempre quando a coisa cresce, às vezes acontece um racha, não é? Foi o que houve na ocasião de Maria Júlia, a senhora que fundou o Gantois. Quando fundaram o Gantois, a característica também era a de não ter homem como líder, como pai-de-santo da casa. Mas no Gantois não se impediu que os homens tivessem cargos que sobressaíssem. Homens podem ter cargo, só não podem sentar como pai-de-santo. Depois do Gantois, aconteceu com Mãe Aninha, que fundou essa casa (o Ilê Axé Opô Afonjá) e que também seguiu essa mesma norma, que homem não seria líder da casa de Xangô, que é aqui o São Gonçalo. Aqui também se iniciam homens, mas homens iniciados aqui ou no Gantois já sabem que não podem ser pais-de-santo na casa de origem. Mas como essas duas casas iniciam homens e sabe-se que todo mundo, depois de determinado tempo, quando está completamente pronto para o orixá, poderá assumir uma liderança, alguns desses homens fundaram as suas casas, tanto do Gantois quanto do São Gonçalo. Não é proibido ser pai-de-santo, mas dentro dessas casas, na liderança, somente mulheres. Como existem casas grandes… A casa de Dona Olga (o Alaketu) também, porque a primeira liderança lá foi feminina. É uma casa antiquíssima, mais antiga do que essa nossa. E as mulheres dessas casas foram lideranças fortes, que deixaram o nome na história, que produziram, trabalharam em prol da crença dos orixás, que viajavam, que faziam movimentos para a libertação do candomblé. Tiveram muita resistência. Então, sabe-se que, a princípio, essas casas só podem ter responsáveis do gênero feminino. E, diga-se de passagem, a liderança feminina no candomblé é uma coisa muito forte, porque a mãe é mulher. Por mais rude ou enérgica que ela seja, sempre tem aquela nuance feminina para determinados detalhes. E para falar a verdade, eu acho muito bonito uma mulher como mãe-de-santo. Não que o homem também não tenha o seu charme, mas acho que eu já me acostumei com isso, ver uma mãe-de-santo na liderança. O homem tem o valor dele, existem pais-de-santo competentes, verdadeiros. Podemos dizer que o candomblé, na atualidade, não é uma crença, uma religião só de negros, nem só de mulheres. Os orixás são simbolizados pelas forças naturais, que são os fenômenos da natureza, e são coisas que não têm sexo. O vento tem sexo? Qual é o sexo do vento? Apesar de simbolizar o orixá chamado Iansã, o espiritual não tem sexo, não tem raça, nada disso.
AM - A senhora foi iniciada muito cedo, com 13 anos. A senhora imaginava que ocuparia um cargo como esse, tão importante? E como a senhora experimentou isso na sua vida?
MS - As pessoas que entram para a crença dos orixás com fé, com consciência do que estão fazendo, elas têm o gosto, a vontade de servir o orixá, de fazer tudo em prol. Eu creio que raríssimas pessoas entram para o candomblé já com a pretensão de ser mãe-de-santo. Quem tem juízo não pensa assim. Porque aí não é uma coisa espiritual, passa a ser uma coisa de superação. No candomblé, é a gente que se supera, não tem que superar o outro, tem que superar a si próprio. Não tem que tentar superar o outro com essa questão de valores materiais, não tem nada disso. E eu nunca tive essa pretensão. A minha alegria era servir ao orixá e à minha mãe-de-santo, fazer as coisas dentro dos parâmetros certos. Mas, por isso ou aquilo, o orixá, por intermédio do Oluô, me escolheu como líder daqui. A substituição aqui é feita através do jogo de búzios. Como na Casa Branca, que também é através do jogo de búzios. Do Gantois, eu não posso dizer muito, porque sabe-se que é uma substituição familiar. Cada casa tem um uso.
AM - E sobre a casa, o terreiro, como a senhora define? Porque antropólogos, escritores, visitantes falam muitas coisas. É uma casa religiosa? Tem semelhanças com uma escola, uma universidade, uma casa terapêutica, onde as pessoas buscam cura? Como a senhora define o terreiro? É uma família?
MS - A princípio, todo terreiro é uma família, porque é a família espiritual. Nosso chefe, nosso patrono aqui é Xangô. Então, tudo aqui é feito com as bênçãos, as determinações de Xangô. Ele não vem e fala, mas, através dos búzios, de certas práticas, nós podemos contar com ele. Então tudo o que aqui é feito é por orientação espiritual de Xangô. E, como na vida, a comunidade axé é uma escola. Aqui a gente aprende o lado espiritual – e o espiritual apenas por si só é importante -, mas não é a única coisa que existe na sociedade, por isso temos o lado social. Temos o espiritual e o social. Então esse espaço que nós ocupamos é como se fosse uma pequena cidade. Uma cidade que já vem do tempo de Mãe Aninha, quando ela caracterizou aqui como a África, botando uma casa para cada orixá. Enquanto lá, cada orixá tem a sua tribo, a sua cidade, ela deu um espaço para cada um, onde eles têm seus rituais, em dias diferentes, separados, cada um seguindo os seus preceitos. E também a resistência maior da raça negra foi na religião, na crença dos orixás. Se não fosse assim, a mulher da crença nos orixás não teria essa auto-estima. O pessoal de candomblé tem auto-estima, o pessoal de candomblé se gosta, gosta de si próprio e, até por osmose, gosta do irmão, porque os que entram aqui estão todos sobre orientação de Xangô ou de Oxalá. São todos irmãos e a coisa mais normal do mundo é que um irmão goste do outro, com raras exceções, mas é normal na vida.
AM- Fale mais sobre essa resistência através da religião.
MS - Isso vem do tempo de Mãe Aninha, a fundadora, que naquela época de repressão procurou apoio até com o presidente da República e se integrou na Igreja Católica. Naquele tempo, ser da Igreja Católica era ter status, porque quem mandava era o branco e essa era a religião do branco. Daí foram fundadas as irmandades, como a do Rosário dos Homens Pretos, a Irmandade da Barroquinha e outras mais, onde a mulher negra podia fazer os seus cultos. Era proibido adorar os orixás. Quem era espiritualizado precisava encontrar qualquer coisa espiritual para se apegar e foi por isso que surgiu o sincretismo, quando se faziam as coisas meio mascaradas. Se adorava o orixá de uma forma velada, como se estivesse cantando para os santos. E o negócio foi tão seguro que, atualmente, nós já estamos livres, mas temos tido muito trabalho para o povo de orixá se conscientizar da importância do orixá, da força e da energia. O orixá é uma coisa independente de qualquer outra crença, como qualquer outra crença é independente do candomblé. Então, o bom e o bonito é que cada um se fixe na sua crença, nos seus símbolos, na sua energia e não precise se segurar no outro para mostrar potencialidade.
AM- A senhora tinha falado que, além da parte espiritual, existe a parte social do terreiro.
MS - Pois é. Aqui, além de cuidar da parte do orixá – que são as festas que você conhece, independente dos rituais internos que só cabem a nós -, a gente tem a parte social. Fundamos uma escola, num convênio com a prefeitura, que tem 300 crianças. As professoras fazem um serviço muito bom e que a prefeitura reconheceu, tanto que ela já passou a ser escola referência. É uma escola da rede pública e atendemos à lei que diz que a liberdade de culto deve existir. Ali não se ensina candomblé nem iniciações, mas muita coisa relacionada com a cultura africana iorubá. Nós não somos africanos, somos brasileiros, afro-brasileiros. É fanatismo dizer que somos africanos. Somos afro-brasileiros, descendentes de africanos. Então, alguma coisa da cultura africana é passada no colégio, mas nós não aceitamos apenas alunos e pessoas ligadas aos orixás. É um espaço aberto. Temos professores e alunos de outras religiões. Eles não estão aprendendo religião, porque religião não se impõe. Escola para religião é bobagem. O professor e o diretor do colégio têm que enfatizar a cultura deles, mas não se força religião. Fizeram isso com os negros, com os índios, mas isso é contra a humanidade.
AM - E vocês têm também o museu, a biblioteca, oficinas…
MS - É, estou falando da escola só para você entender como funciona. A diretora Marivalva está ali há 20 e alguns anos, desde quando funcionava nesse mesmo lugar uma creche, num convênio com outro órgão. Como este órgão foi responsável pela construção, compramos o prédio, mesmo sendo aqui dentro do terreiro, para poder ser nosso. Como a escola foi uma experiência boa – está sendo boa e será melhor, com fé em Deus – resolvemos fazer o museu, em 1983. Vera Felicidade foi a pessoa responsável, uma filha-de-santo nossa. Eu estava recentemente aqui no axé e fiz uma viagem à África, onde vi aquelas coisas todas. Aqui também eu via tantas coisas bonitas jogadas aí pelos cantos. Até que, conversando com Vera, ela tomou para a si a responsabilidade e criou o Museu Ohun Lailai. Temos uma biblioteca também, onde a responsável é Luzia Leal, uma bibliotecária aposentada. Todos aqui são voluntários. Luzia instalou a biblioteca, deu nome e está tomando conta. Nós recebemos doações: eu tinha a minha biblioteca particular, que doei toda, e muitas pessoas também têm doado muitos livros e ainda queremos mais. Temos também um grupo de estudos. Os responsáveis são Cléo Martins e Roberval Marinho. Principalmente esses dois estão à frente, que são os nossos filhos-de-santo pensadores. Ana Rúbia é nossa auxiliar, porque ela faz tudo aqui. Temos também um projeto com o Comunidade Solidária e o Unicef. A responsável é Tereza, outra filha-de-santo, que está fazendo várias oficinas para dar ocupação a essas crianças. Estamos todos preocupados com isso. Também fazemos aqui em casa seminários entre nós mesmos, de vez em quando, para bater papo. É daí que surgem coisas como o Festival Alaiandê Xirê, uma criação de Cléo e Roberval. Este foi o terceiro ano do Alaindê e está dando certo, fazendo sucesso, está repercutindo lá fora. Nós juntamos o lúdico com o espiritual e deu certo, tem tido muita aceitação das pessoas.
AM- Aqui no Afonjá os homens só podem exercer os cargos de obá, ogã, alabê e axogum?
MS - É. Tem outros mais, mas esses são os principais.
AM- A senhora tem idéia de quantas são as pessoas ligadas à casa, os iniciados, os filhos-de-santo?
MS - Isso é impossível, porque aqui é uma passarela, né? Nós temos efetivamente os feitos de santo, os iniciados, um grupo muito grande. Mas eu não sei o número. Temos também os visitantes, os clientes, pessoas que necessitam e vêm até aqui. Um grupo transitório, eles vão e voltam.
AM- Diariamente vêm pessoas aqui?
MS - Quase que diariamente. O meu dia de atender era quarta-feira, mas é tanta gente que vem… Fico com pena de ver as pessoas chegarem e voltar chorando. Eu aí atendo e isso até impede a minha vida social. Eu quase não faço mais nada a não ser trabalhar aqui dentro. Virei uma escrava. Mas a compensação é que a gente tem a sensação do dever cumprido, vê que conseguiu ajudar algumas pessoas. A gente não se julga onipotente, mas damos graças ao orixá por conseguir ajudar. Quando nada, o bem-estar. Muita gente vem aqui para nada também, porque gosta do espaço. Vem, senta-se aí, passa a tarde sentado nesse espaço e vai tranqüilo. Não toma um banho, não faz nada, só vem pelo axé. Deve ser o astral que é bom, não é? (Risos).
Pronto, iaiá.(06 de janeiro de 2001)

Julho 29 2008 | Identidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Mãe Menininha do Gantois

O texto que se segue foi publicado na revista brasileira «Revista das Religiões» e foi assinado por Michelle Veronese, em Salvador.

Brincando de Candomblé. Era assim que Escolástica Maria da Conceição Nazaré, menina pobre da periferia de Salvador, Bahia, ocupava suas horas livres na infância. Habilidosa e criativa, ela tinha um jeito todo especial de improvisar a diversão: reunia folhas de bananeira, espinhos de mandacaru, sementes e frutas e com elas ia dando forma a pequenos bonecos. Depois de prontos, cada um recebia o nome de uma divindade do Candomblé. Havia Oxossi, Ogum, Oxum e uma porção de outros orixás para a garota brincar. O Candomblé também estava presente nos sonhos de Menininha, apelido que Escolástica recebeu da avó. Num deles, uma garotinha de pele clara e cabelo loiro perguntava: “Vamos brincar?”. “Brincar de quê?”, dizia ela. “De jogar búzios, menininha!”, era a resposta. E lá iam as duas brincar com os búzios na areia. Foram necessários muitos anos até que Menininha compreendesse o sentido daquele sonho. “Só depois de adulta ela percebeu que aquilo era um sinal. Eram, acho, os orixás lhe mandando mensagens”, diz a mãe-de-santo Carmem Oliveira da Silva, sua filha caçula.

De fato, os sonhos e as brincadeiras de infância pareciam anunciar o destino de Menininha. Nascida em 10 de fevereiro de 1894, em Salvador, ela pertencia a uma família devotada ao Candomblé. Sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, havia fundado, em meados do século 19, o Ilê Iya Omin Axé Iyamassê, mais conhecido como terreiro do Gantois (nome do antigo proprietário do terreno, que era francês). Sob a orientação da avó, das tias e da mãe, Menininha foi iniciada nos segredos da religião africana. E sem que soubesse, passou a ser preparada para o cargo, que assumiria anos depois, de ialorixá (mãe-de-santo, na língua ioruba). “A mãe-de-santo é a chefe da comunidade religiosa. A ela cabe o poder religioso e de todos os ritos do terreiro”, diz o sociólogo Reginaldo Prandi, da Universidade de São Paulo.

Alheia aos planos para seu futuro, Menininha completou o curso primário e logo tratou de aprender um ofício. Escolheu ser costureira e não demorou a arrumar emprego num ateliê de Salvador. Entre várias tarefas que desempenhava, cabia a ela a difícil tarefa de confeccionar espartilhos. Aos 29 anos, casou com o advogado Álvaro McDowell de Oliveira, descendente de ingleses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem.

Mas a vida da dona de casa, devotada ao marido e as filhas, logo passaria por uma grande transformação. Com a morte de mãe Pulchéria, tia-avó de Menininha e segunda ialorixá a governar o terreiro do Gantois, a casa ficou sem uma líder. Os orixás, no entanto, se manifestaram e escolheram a próxima sacerdotisa: Menininha. Era uma grande responsabilidade. Afinal, no papel de mãe-de-santo, ela teria de administrar um dos terreiros mais antigos de Salvador, formar filhos-de-santo e ser a líder espiritual de centenas de pessoas ligadas à casa de Candomblé. “Ela queria ter uma vida normal. Mas sabia que não havia outra escolha”, diz mãe Carmem.

Em 1924, prestes a completar 30 anos, Menininha tomou a decisão que mudou sua vida, assumindo a liderança do terreiro fundado por sua família. Mudou-se para o Gantois junto com o marido e a primeira das duas filhas. E desde então, passou a ser conhecida como Mãe Menininha do Gantois, a ialorixá mais famosa e respeitada do país.

Tempos difíceis

 

Na época em que Mãe Menininha se tornou ialorixá, os tempos não eram fáceis para os adeptos do Candomblé. Além do preconceito, os filhos e mães-de-santo sofriam muitas perseguições e violência. “Não havia liberdade de culto. As casas eram perseguidas e invadidas pela polícia”, diz a antropóloga Josildeth Consorte, da PUC de São Paulo.

Na década de 30, a Lei de Jogos e Costumes esboçou uma certa tolerância ao culto aos orixás. As festas só poderiam ser realizadas em determinados horários e mediante uma autorização por escrito. Isso, no entanto, não impedia que os policiais invadissem os terreiros, espalhando violência e terror. “Eles entravam a cavalo e munidos de sabres. Furavam os atabaques e quebravam tudo o que encontravam pelo caminho”, conta mãe Carmem.

Os anos de opressão só terminaram em 1976, quando o então governador da Bahia, Roberto Santos, sancionou um decreto liberando as casas de Candomblé da obtenção de licença e do pagamento de taxas à delegacia de Jogos e Costumes. Até esse período, porém, não há registros de que o Gantois tenha sido alvo das batidas policiais, tampouco de violências e agressões. “Mãe Menininha teve a grande capacidade de atrair para o terreiro a simpatia de muitas pessoas importantes da Bahia, que protegeram o terreiro de certas investidas da polícia e de outros perseguidores”, diz Reginaldo Prandi.

A ialorixá, porém, enfrentou outra forma de preconceito. Quando assumiu a liderança do terreiro, aos 29 anos, sua juventude não foi vista com bons olhos pelos adeptos mais antigos do Candomblé. “Os velhos africanos sempre diziam que uma sacerdotisa deve ser tão velha que não possa mais lembrar as paixões da juventude”, afirmou Mãe Menininha, em depoimento à antropóloga Ruth Landes no livro Cidade das Mulheres. “Bom, as coisas estão mudando, degenerando, não há mulheres idosas aptas para o nosso trabalho.”

Apesar da pouca idade, Mãe Menininha mostrou-se apta para a função de sacerdotisa. Conseguiu se impor com sabedoria, graças à força de sua personalidade. “Ela era uma mulher carismática, eloqüente e com uma personalidade fortíssima”, conta o antropólogo Ordep Serra, da Universidade Federal da Bahia. Com esses requisitos, a mãe-de-santo não demorou a impressionar adeptos e não adeptos do Candomblé, atraindo cada vez mais pessoas ao terreiro do Gantois “Claro que, para alguém ter esse poder de atração, precisa ser muito inteligente, uma intelectual de primeira”, diz Ordep.

Sacerdotisa popular

 

Sob o comando de Mãe Menininha, o Gantois logo se tornou um dos terreiros mais procurados e respeitados da Bahia. Filha de Oxum, divindade relacionadas às águas doces e ao amor, a líder religiosa tinha várias características de sua orixá. Muitos que a conheceram a descrevem como uma mulher amorosa, generosa e sempre disposta a aconselhar quem a procurava. “Ela sempre tinha uma palavra, uma mensagem confortadora”, afirma Josildeth Consorte.

Com o passar do tempo, Mãe Menininha foi formando cada vez mais filhos-de-santo e sua popularidade não parou de crescer. “Nos anos 80, assiste-se a sua veneração. A imagem de Menininha do Gantois já adquire ares de mitificação”, escreveu o antropólogo Jocélio Teles em Caminhos da Alma. “Ser abençoado por Mãe Menininha era um desejo de todo mundo que visitava a Bahia”, afirma Josildeth. Para receber a bênção da sacerdotisa, turistas de todas as partes do país lotavam ônibus e se amontoavam na entrada do terreiro. Políticos, artistas, intelectuais e acadêmicos a procuravam constantemente em busca de conselhos, orientações ou informações para suas pesquisas. A ialorixá também recebia muita gente humilde, pobres da periferia ou do campo, que muitas vezes queriam um lugar onde comer e passar a noite. “Mulheres que tinham se afastado do marido, ou por morte ou separação, vinham com todos os filhos. Pessoas que perdiam o ônibus ou trem e que não tinham onde passar noite, ficavam aqui”, diz mãe Carmem.

Na cozinha da casa de Menininha, o velho fogão à lenha nunca estava apagado. Ali, a mãe-de-santo sempre tinha água quente para preparar um novo café e uma refeição para oferecer aos visitantes. Na mesa, não podiam faltar cuscuz e o bolo de farinha de arroz, receitas que fez questão de ensinar às filhas, netas e ajudantes. As gentilezas e atenções eram iguais para todos, fosse o visitante um gari ou um chefe-de-Estado.

Ecumênica por natureza

 

Mãe Menininha faleceu em 13 de agosto de 1986. Nos mais de 60 anos em que liderou o terreiro do Gantois, como uma grande diplomata de sua religião, sempre tratou de explicar o Candomblé àqueles que se interessavam em aprender ou estudar o assunto. Além do ótimo relacionamento com governantes de Estado, artistas e intelectuais, a ialorixá também conquistou o respeito de líderes de outros terreiros e sacerdotes católicos, especialmente os mais ecumênicos e tolerantes. Durante vários anos, ainda que eventualmente, freqüentava missas católicas. “É preciso lembrar que as religiões africanas não são dogmáticas, ou seja, não exigem adesão exclusiva. Então, você pode fazer seu culto e aceitar outras práticas eventualmente”, diz Ordep.

Ecumênica por natureza, Mãe Menininha declarou uma vez: “Deus? O mesmo Deus da Igreja é o do Candomblé. A África conhece o nosso Deus tanto quanto nós, com o nome de Olorum. A morada dele é lá em cima e a nossa, cá embaixo”. A frase está hoje exposta no Memorial Mãe Menininha do Gantois, em Salvador. No pequeno museu, que reúne objetos pessoais da ialorixá e funciona no próprio terreiro, estão, entre outros objetos pessoais, a mesinha onde jogava os búzios, o rádio que gostava de ouvir e os óculos de armação grossa, sua marca registrada.

Para muitos pesquisadores, a popularidade e o reconhecimento que Mãe Menininha alcançou contribuíram para tornar o Candomblé uma religião mais aceita no país. O curioso é que tal popularidade não impressionava a mãe-de-santo. Seus parentes contam que ela se recusava a divulgar ou registrar os nomes dos artistas, políticos e outras pessoas famosas que freqüentavam o terreiro. Não gostava de ser fotografada e fazia questão de dizer que as pessoas não iam ao Gantois por sua causa, mas para ver a casa do Candomblé e os orixás.

Sua aversão à fama não impediu que recebesse diversas homenagens, especialmente de artistas e amigos ilustres. Entre elas, a mais conhecida é a música Oração a Mãe Menininha, que Dorival Caymmi compôs em 1972. Apesar de ser ogã (espécie de protetor influente do Candomblé) de outro terreiro, o compositor visitava freqüentemente Mãe Menininha, a quem pedia conselhos e tratava como a uma mãe. “Ela costuma dizer que eu era sua sexta neta”, recorda a cantora Nana Caymmi, filha de Dorival. “Sempre recebia a todos com o mesmo sorriso e a mesma alegria.” Quem conheceu Mãe Menininha conta que ela tinha um jeito todo especial de ser, viver e cuidar das pessoas. Um jeito carinhoso de mãe, sempre atenciosa e a pronta a ajudar seus filhos, que os versos da canção trataram de imortalizar: “A beleza do mundo, heim? Tá no Gantois./ E a mão da doçura, heim? Tá no Gantois./ O consolo da gente, ai. Tá no Gantois…/ Ai, minha mãe. Minha Mãe Menininha”.

Quando criança, Menininha criava bonecos de orixás com folhas de bananeira, espinhos de mandacaru, sementes e frutas. Adulta, homenageava as divindades em celebrações no terreiro.

Julho 02 2008 | Religiosidade Afro-Brasileira | 5 Comments »

Balbino de Xangô


::Babalorixá Balbino de Xangô no seu terreiro::
Balbino Daniel de Paula ou Balbino de Xangô é um dos mais importantes sacerdotes do Candomblé, se não o mais significativo do sexo masculino. Neto de escravos, Balbino cresceu em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, ao largo de Salvador da Bahia, morada do mais secreto e inacessível templo afro-brasileiro, o Terreiro dos Eguns, na altura dirigido pelo seu pai biológico, Alapinin Pedro Daniel de Paula. “Até os 12 anos não podíamos ver a festa à noite, por isso ficávamos felizes quando tínhamos a oportunidade de dar presentes a Bababê na festa dele, ele dava ecó (acaçá) para a gente e mãe Senhora ia sempre lá, ela fazia obrigação de babalorixá”, conta ele. Na época, com apenas seis anos, Balbino conhece Pierre «Fatumbi» Verger, o etnólogo e fotógrafo francês — de alma afro-bahiana — que sempre acompanhava Mãe Senhora do Iylê Axé Opô Afonjá até Itaparica. “Ficava impressionado com a figura daquela mulher. A minha relação com a minha mãe era tão carinhosa que ela até me botou um apelido, Negrito, era assim que ela me chamava”. Balbino ganhou a simpatia e o carinho de Mãe Senhora, a mais venerada Mãe-de-Santo da época.

Por motivos que ele até hoje desconhece, até ser encaminhado ao Ilê Axé Opô Afonjá, vivenciou uma experiência curiosa em outro terreiro de candomblé. Duas de suas irmãs já tinham sido feitas de santo no terreiro de São Gonçalo do Retiro. Mas ele, não. Continuava na sua rotina de verdureiro nas feiras livres de Salvador. Até que, por problemas de saúde, foi encaminhado a um terreiro na Federação. Contudo, um trágico episódio abortou o seu processo de iniciação. “O pai-de-santo, pai Vidal, de Oxaguian, morreu sete dias depois d”eu ter sido recolhido lá”, conta. Voltou para casa sem passar pela iniciação. Acaba no Iylê Axé Opô Afonjá justamente às mãos de Mãe Senhora de quem fica ainda mais próximo. Desde esse momento passa a conviver com Jorge Amado e Pierre Verger, os vultos da época. Verger costumava trazer-lhe recordarções de África, elementos ligados ao culto dos Orixás. Segundo Balbino: “E eu sempre pedia a ele: ”Me leva para a África?”. Ele me respondia: ”Um dia Xangô vai te levar”. Decorria o ano de 1959.

Em Fevereiro de 1973 Balbino parte para Saketê, no Dahomey (Benin). “Quando cheguei, fiquei impressionado com aquelas mulheres de peitos de fora e aqueles homens de corpo pintado, nunca tinha visto coisa igual”,relembra. Pierre Verger lança-o para o contacto: “Você não queria vir? Agora que você está aqui se comunique com o seu povo”.

Balbino rezou a Xangô e pediu ajuda. À sua cabeça veio a ideia de cantar para o seu Orixá, em yorubá, claro está. “Me veio a cantiga de Xangô e cantei em iorubá. Cantei uma, duas vezes, e nada. Eles só faziam me olhar”. Tentou uma terceira vez. Dessa vez todos pegaram no xerê e começaram a cantar junto com Balbino.

Na rua do Saketê Balbino tem hoje a sua própria casa, o Iylê Axé Opô Aganjú, e uma creche para sessenta crianças da comunidade carente de Lauro de Freitas.

Dezembro 03 2007 | Religiosidade Afro-Brasileira | 12 Comments »

Zumbi dos Palmares


No ano de 1600, negros fugidos ao trabalho escravo nos engenhos de açúcar de Pernambuco, fundam na serra da Barriga o quilombo de Palmares; a população não pára de aumentar, chegarão a ser 30 mil; para os escravos, Palmares é a Terra da Promissão ou Prometida.

Em 1630 os holandeses invadem o Nordeste brasileiro. Em 1644, tal como antes falharam os portugueses, os holandeses falham a tentativa de aniquilar o quilombo de Palmares. Em 1654, os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro. Um ano depois, 1655, nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares.

Por volta de 1662 Zumbi é aprisionado e entregue a criar ao Padre António Melo, é baptizado com o nome de Francisco e aprende o português e o latim. Em 1670 Zumbi foge e regressa a Palmares. Cinco anos depois – 1675 – na luta contra os soldados portugueses, comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar.

No ano de 1678, a Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessa a submissão do que a destruição de Palmares; ao chefe Ganga Zumba propõe a paz e a alforria para todos os quilombolas; Ganga Zumba aceita; Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. Em 1680, Zumbi impera em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas. Em 1694, apoiados pela artilharia, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares; embora ferido, Zumbi consegue fugir. A 20 de Novembro de 1695, denunciado por um antigo companheiro, Zumbi é localizado, preso e degolado.

Apesar de assassinado, Zumbi permanece símbolo da resistência africana, para sempre.

Julho 30 2007 | Identidade Afro-Brasileira | 1 Comment »