√ Música é axé
Abril 06 2010 | Património Imaterial | 1 Comment »
Nessa cidade todo mundo é d’Oxum
Homem, menino, menina, mulher
Toda gente irradia magia
Presente na água doce
Presente na água salgada
Presente na água doce
Presente na água salgadaE toda cidade brilha
Seja tenente ou filho de pescador
Ou importante desembargador
Se der presente é tudo uma coisa só
A força que mora n’água
Não faz distinção de cor
E toda cidade é d’Oxum
É d’Oxum
É d’Oxum
Eu vou navegar
Eu vou navegar nas ondas do mar
Eu vou navegar nas ondas do marIá aguibá Oxum aurá olu adupé
# Gerônimo
Agosto 05 2009 | Património Imaterial | 1 Comment »
“Iaiá você quer morrer
Quando morrer, morramos juntos
Que eu quero ver como cabem
Numa cova dois defuntos”
(Isto É Bom, lundu de Xisto Bahia)
Lundu ou Lundum é uma dança de origem africana bastante popular na Lisboa do século XVI, tendo sido, por volta de 1780, apelidada de “dança silenciosa e indecente”. Em finais do século XVIII, o Lundu apresenta uma faceta de canção acompanhada à viola. Conheceu o seu apogeu nos finais do século XIX, particularmente entre as leites cariocas, altura em que se fundiu com o tango e a polca dando origem ao maxixe. A passagem do Lundu das comunidades africanas e afro-descendentes para as classes altas brasileiras originou uma alteração estética e conceptual da dança, perdendo o seu fulgor sensual e se tornando numa dança alegre e brejeira.
No Brasil, o Lundu é tido como a primeira manifestação cultural musical afro-brasileira, tendo surgido antes mesmo do semba ou samba, sob a forma de uma dança sensual de origem africana. Em 1798, é publicada a colectânea «Viola de Lereno», um conjunto de composições de Domingos Caldas Barbosa, onde o lundu é referido como género musical. A sua origem étnica é atribuída aos negros Bantu, Angola e Congo, primeiros negros chegados ao Brasil através do sistema escravocrata. Por essa altura o Lundu possuia uma cadência física semelhante ao kizomba actual.
No trajecto directo Angola-Brasil, o Lundu não perdeu a sua feição africana, sensual e lasciva, sendo até ao século XVIII catalogada junto das demais manifestações culturais musicais negras sob o nome de «batuque». Ao contrário, tendo passado por Lisboa, o Lundu foi pulido e europeizado, misturando-se com os folguedos portugueses e adquirindo uma estética suavizada, por forma a entrar nos ambientes selectivos da corte. Escreveu Caldas Barbosa:
“Eu vi correndo hoje o Tejo/Vinha soberbo e vaidoso/Só por ter nas suas margens/O meigo Lundum gostoso/Que lindas voltas que fez/Estendido pela praia/Queria beijar-lhe os pés/Se o Lundum bem conhecera/Quem o havia cá dançar/De gosto mesmo morrera/Sem poder nunca chegar/Ai rum rum/Vence fandangos e gigas/A chulice do Lundum”.
O lundu-dança continuou a ser praticado por negros e mestiços enquanto o lundu-canção passou a interessar aos compositores de escola e músicos de teatro, onde era feito para ser dançado e cantado com letras engraçadas e maliciosas. Já em fins do século XIX, esse aspecto foi intensamente explorado por Laurindo Rabelo, o poeta Lagartixa que, acompanhando-se ao violão, depois de determinada hora improvisava com facilidade lundus especiais ouvidos só por homens.
Outubro 22 2008 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »