√ Dia de África

Taiwo e Sofia Dias

A Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira (APCAB), entidade portuguesa representante do eixo cultural luso-afro-brasileiro, esteve presente nas comemorações do Dia de África no Centro Cultural de Belém (CBB), em Lisboa. Segundo palavras da Presidente da instituição, Sofia Dias, “Era impossível deixar passar a data e faltar ao convite enviado pelos nossos ilustres amigos da Embaixada da Nigéria. O Dia de África é um dia importante para pensarmos sobre a nossa própria história, sobre a diversidade cultural e sobre o preconceito que ainda existe em relação a África”. Para João Ferreira Dias, Vice-Presidente, “a data deve servir de pano de fundo para a reflexão sobre o devir do continente africano. A concertação política e económica não esgotam nem devem esgotar as relações multilaterais. O diálogo intercultural, real e vivido, deve estar sempre presente. Precisamos fazer mais no Dia de África. É preciso pensar África. Do ponto de vista do convívio é um enorme prazer estar aqui com os nossos amigos Yorùbá da Embaixada da Nigéria e reencontrar o Sr. Secretário-Executivo da CPLP, Eng.º Domingos Simões Pereira, sempre com a sua energia cativante. É pena no meio de tanta gente ainda não ter encontrado o Sr. Embaixador Lauro Moreira, da Missão do Brasil. “

A mostra gastronómica e musical serviram de palco para um convívio que reuniu embaixadores das diversas missões africanas em Lisboa e amigos do Continente Negro. A cerimónia foi aberta pelo Decano dos Embaixadores Africanos e pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho. Música, cor, aromas, sabores, e diversidade linguística, marcaram a data, enchendo a Tenda do CCB de uma africanidade imensa.

Maio 26 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ O tema do costume

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, abriu a cimeira sobre o racismo falando da islamofobia e dos negacionistas do holocausto (ver Público). Os dois temas permanecem como paradigmas de análise do confronto civilizacional. Até quando a análise dos confrontos e atentados contra as culturas e religiões africanas? Esta é uma questão que não veremos respondida. Não tão cedo.

Abril 20 2009 | Acção Política e Social | 1 Comment »

√ Os limites do diálogo intercultural

E

stamos a chegar ao fim do «Ano Europeu para o Diálogo Intercultural» e torna-se imperativo questionar: terá alguém dado pela comemoração? É aceitável admitir que a calendarização da comemoração tem mais de oportunismo simbólico do que de motivação imperativa. Sem ter sido feita uma larga explanação mediática, sem ter educado os media para a simbologia e importância de uma cobertura intensa de todas as actividades que promovam o diálogo intercultural, o Ano Europeu para o Diálogo Intercultural revelou-se limitado no seu campo de aceitação social. Sabendo que os meios de comunicação social prefere o insólito e sensacional à construção de uma agenda cultural.

O projecto revelou-se, em Portugal, um nado-morto. As instituições públicas e privadas com responsabilidade na área sócio-cultural demitiram-se de tarefas que promovessem esse novo paradigma internacional que é o diálogo intercultural ou multiculturalismo positivo. Sentiu-se um grave desinteresse das instituições e organismos nacionais e internacionais. A concentração em torno do choque de civilizações entre o mundo ocidental e o mundo islâmico limitou totalmente o campo de acção do diálogo intercultural.

Num país cuja sociedade é hoje uma manta de retalhos étnicos, o desinteresse público no apoio a causas multiculturais é sinónimo de um complexo social de preconceito camuflado. As políticas culturais do Ministério da Cultura e instituições de grande campo de actuação e repercussão social negligenciaram o diálogo intercultural, tratando o tema como aspecto cultural menor.

Avançamos rapidamente para um país que se demite da educação, da formação cultural e cívica dos cidadãos. A pretexto de outras causas ei-los que metem as mãos nos bolsos e nada fazem.

Novembro 12 2008 | Acção Política e Social | No Comments »

√ Governo Multicultural

Em 2003, o Presidente da República, Luis Inácio da Silva, sanciona a Lei 10.639/03 alterando a Lei no 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, que estabelece as directrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Em 19 de Maio de 2004 foi homologado o Parecer CNE/CP Nº 003/2004, de 10/3/2004 que estabelece as directrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e traz orientações de como a lei 10.639/2003 deve ser implementada. A 10 de Março de 2008, Luis Inácio da Silva, sanciona a Lei 11.645 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para inserir, ao lado da obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, a temática da “História e Cultura Indígena”.As políticas socias, sócio-culturais e educacionais, do denominado “Governo Lula” marcam um novo paradigma de comportamento governativo: a afirmação real da multiculturalidade identitária sob todos os seus prismas. A consciência do contributo africano para a formação da nacionalidade brasileira (se que é que ela de facto existe) é um avanço na implementação de um sistema social mais igualitário. O resgate da herança original brasileira — a indígena — é uma afirmação de uma «política das raízes» (conceito nosso). Contudo, o caminho traçado pelo actual governo, enfrenta as tradicionais forças sociais, mais interessadas na manutenção do status quo e menos empenhadas na afirmação da diversidade. São precisamente essas forças conservadores que suspiram pelo fim do «Estado Logístico» de Lula, onde a autonomia decisória e as parcerias estratégicas substituiram a dependência histórica face aos Estados-Unidos. Dependência histórica (centro-periferia) fruto de uma globalização assimétrica, que ao mesmo tempo encaixava no projecto identitário das classes altas e urbanas brasileiras, particularmente paulistas: a afirmação de um país economicamente dependente dos Estados-Unidos, sim, mas culturalmente influenciado por estes. O Brasil de hoje é muito mais realista, multicultural e progressista. Todavia continua a não gerar consensos nas forças sociais.

Para nós é óbvio que está hoje muito melhor do que esteve durante toda a década de 1990.

 

Junho 13 2008 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

Multiculturalidade Portugal - Brasil

© roda de samba numa favela brasileira

O senso comum sabe que a cultura brasileira acenta nas novelas, no samba e Carnaval, no futebol e capoeira, e claro na música que recebemos diariamente ao longo de décadas. Assim, a influência exercida pela cultura brasileira sendo nula, não deixa de não aceitar casos isolados e de admitir uma abundância de manifestações brasil-provenientes que circulam no nosso quotidiano.

O mito da influência tendo nascido nos anos 80 com as primeiras novelas, rapidamente se dissipou, anulada por uma fraca inculcação de vocábulos na linguagem corrente nacional. Por outro lado, a literatura foi uma componente de influência entre as décadas de 1960 e 80, em especial pela “pena” de Jorge Amado.


As manifestações de massas assumiram rápida popularidade e serviram para uma inserção mais fácil dos imigrantes brasileiros em Portugal. As escolas de samba chegadas nos anos 80, as escolas de capoeira, os bailes de Carnaval e blocos luso-brasileiros cresceram, tornando culturalmente activos os imigrantes brasileiros.

Outro campo importante do nível de real inserção, prende-se com a religião. O facto de Portugal ser um país essencialmente católico favoreceu a inserção nas Igrejas, mas não só. A Igreja Universal do Reino de Deus toma um carácter intenso no Brasil, e muitos dos brasileiros recém-chegados procuram estes templos, como forma de integração e reencontro com suas crenças. Mas e os outros brasileiros não católicos, os Cariocas e Bahianos afro-crentes? Se à primeira vista estes parecem ficar sem solução, um conhecimento exacto das crenças religiosas afro-brasileiras e respectivas casas de culto, leva-nos a constatar que os Terreiros de Umbanda e Candomblé existentes, ou são dirigidos por imigrantes brasileiros ou um grande número de fiéis oficiantes do templo é cidadão de além-mar. Mais, numerosos brasileiros recém-chegados a Portugal, procuram esses espaços de culto como primeiro contacto com outros imigrantes da mesma proveniência, bem como alojamento temporário ou até definitivo.


Deste modo falar de uma influência cultural e religiosa, não sendo na medida uma realidade, não deixa porém de ser uma verosimilhança, pois o samba, o pagode, o forró, são cada vez mais dançados, a capoeira cada vez mais praticada e as religiões afro-brasileiras cada vez mais procuradas, quer por brasileiros imigrantes como ponto de contacto com a cultura deixada, como por um crescente número de portugueses que se identificam com as práticas usuais do país irmão.

Julho 02 2007 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »