√ Cidadão Honorário para Lauro Moreira

Lauro Moreira, Embaixador do Brasil à CPLP, foi distinguido com o título de “Cidadão Honorário” da Cidade Velha, Cabo Verde, a primeira localidade criada pelos europeus nos trópicos e que se tornou, em Junho último, Património Mundial da Humanidade. O título é resultado do reconhecimento institucional do governo cabo-verdiano pelo trabalho desenvolvido pelo Embaixador brasileiro na promoção da lusofonia.

Setembro 10 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ APCAB desafia CPLP

A Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira lançou hoje o desafio ao Comité Executivo da CPLP de chamar os partidos políticos portugueses a fim de promover um debate em torno da Lusofonia, oscultando as leituras e projetos que os mesmos possam ter para a promoção do tema.

Setembro 10 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ Devir da Cultura Portuguesa

O conceito lusófono deve ser alvo de permanente revisão. A colocação de um conceito em discussão permite que este seja enriquecido, reestruturado, reconstruído. A perpetuação de um significado não o preserva apenas historicamente como o empurra para a estante de uma ideia do passado, não o coloca sob o microscópio da análise intelectual nem lhe confere sensibilidade de actualização. «Lusofonia» é um conceito tão histórico quanto a Diáspora nacional, tão passível de reformulação quanto é imperativo que o seja.
 
A Cultura Portuguesa não é feita apenas de brandos costumes, não reside naquele lugar histórico que os saudosistas salazaristas pretendem cristalizar nem é uma ideia estática. A dinâmica natural da cultura ficou marcada desde cedo, no diálogo cultural vivido na Lisboa capital de Império, na Lisboa que recebia mercadores de todos os cantos, na Lisboa habitada por mouros e africanos.
 
A Cultura Portuguesa é então dinâmica, é feita do contacto entre povos, é negociada nas trocas humanas pluriculturais, é reformulada, reconstruída, reelaborada, não em laboratórios de uma sociologia identitária mas no vivido quotidiano. A Lusofonia, a par da Cultura Portuguesa, é filha do multiculturalismo, dos quatro cantos do mundo, da viagem histórica nacional às índias, às Américas, a África. Dessa viagem histórica nasceram múltiplas novas identidades. A identidade nacional, por arrastamento, alterou-se. Positivamente. Entendamo-la assim, sem rodeios, sem preconceitos, sem xenofobias.

Fevereiro 19 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ O Ensino da História em Portugal

O relato da história é quase sempre um discurso dos vencedores que anula a perspectiva dos vencidos. A história de Portugal está repleta desses exemplos. O ensino do virtuoso e glorioso passado histórico português tem nos Descobrimentos a sua mais elevada expressão, quando Portugal deu “novos mundos ao mundo”. Mas se fomos pioneiros da globalização então teremos agora de colocar a mão no peito e fazer mea culpa por um sem número de atrocidades. A resposta a dar, como reparação de séculos de exploração escravocrata, encontra-se na reformulação do currículo temático do período dos Descobrimentos. Necessidade que o Ministério da Educação tem silenciosa e tendenciosamente deixado passar ao lado.

A perpetuação de um ensino voltado para a glorificação única do empreendorismo português e da missão de evangelização, não só representa um erro histórico a necessitar de reparo, como ainda significa uma dívida por saldar para com os descendentes do sistema escravocrata português nas colónias. É urgente e premente que se inicie um processo de reformulação do conteúdo programático da história portuguesa. Não é mais possível – porque atravessamos um período de renovada política lusófona e de intensa redecoração do mapa étnico-cultural português – continuar a ensinar aos alunos portugueses (do ensino primário ao secundário) a maravilhosa epopeia portuguesa sem abordar as causas negativas da mesma aventura marítima: escravatura, imposição religiosa, segregação étnica, destruição civilizacional, etc. É forçoso educar os alunos portugueses (que cada vez mais partilham os bancos da escola com alunos dos vários destinos lusófonos) para a multiculturalidade, e nesse sentido, invocar os erros históricos é um primeiro passo crucial. Forçar o poder político a debater esta necessidade é urgente.

Fevereiro 18 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ Quinto Império, reconstruir

A filosofia portuguesa é fecundada em consanguinidade com o espírito poético. O espírito poético português tem sempre na essência a voz colectiva da dimensão fatalista mas também metafísica e espiritual. A herança dos Descobrimentos deixou ao país um vazio saudosista de um país que foi e já não é. Conhecemos “O Império do Futuro” como a promessa de reerguer Portugal e fazer do mundo um império de lusitana voz e identidade.

O saudosismo turva-nos a visão e a mente e não somos capazes de ver o que se nos atravessa à frente. Portugal perdeu o seu império colonial mas deixou um valor superior – a herança linguística. Pelos quatro cantos do mundo é possível ouvir falar português, nas suas diferentes manifestações, mas ainda assim português. E o que tem sido feito em defesa dessa diáspora linguística? Muito pouca coisa.

A constituição formal da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), em 1996, resulta de uma consciência de partilha de uma mesma língua. Daí para cá, a CPLP não tem passado de uma inóspita e inactiva liga de cavalheiros. O Acordo Ortográfico simboliza um passo em frente na consciencialização do devir permanente do mundo globalizado e não-polar. Todavia, a aproximação estratégica está longe de ser consensual. As populações continuam reticentes em relação às mais-valias de um acordo linguístico. Que tem, acima de tudo, um valor político estratégico.

A reconstrução de um Império da Língua Portuguesa no mundo, passa por uma aproximação entre todos os países lusófonos, e requer, uma abertura equitativa a todos os países-membros da CPLP. A Lusofonia não é mais uma propriedade do Estado Português.

Fevereiro 17 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ Discursos Emblemáticos

O choque civilizacional entre o mundo islâmico e o mundo ocidental, acelerado após o 11 de Setembro, tem assumido o papel de moderador entre o diálogo intercultural e intercivilizacional, relegando outros discursos essenciais, particularmente em Portugal, como seja o necessário debate sobre a integração lusófona. Os complexos da integração islâmica merecem uma atenção nova, uma nova filosofia de diálogo, que contemple não só políticas de integração dos referidos povos mas também que os chame a integrarem-se, numa altura em que os mesmos optam por se auto-excluírem. Jorge Sampaio, Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, alerta para o problema, caindo no qualificável de «discurso emblemático» (Público). 

Portugal gosta de olhar o mundo de uma perspectiva colectiva europeia e ocidental, negligenciando os necessários debates internos. A terminar o ano de 2008, Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, compreende-se que a lusofonia teve um papel não só secundário como ainda de mero observador espectante. Jamais foram chamados à reflexão os temas da integração lusófona, das cooperações estratégicas culturais, de políticas conjugadas de promoção identitária, nem foram criados fóruns de discussão dos temas centrais da política conjunta da CPLP. 2008, como ano de diálogo, foi na verdade um punhado de meses em silêncio e pseudo-activo. Alguém sentiu a diferença no Diálogo Intercultural em relação, por exemplo, a 2007? Cremos que não.

Fevereiro 17 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

√ LusoEnsino

Atravessamos tempos de reestruturação das políticas de integração lusófona. A lusofonia deixou de estar confinada a uma ideia histórica e viu-se empurrada – literalmente empurrada por vontades de mudança – para o papel de plataforma de aproximação étno-cultural. O passado colonialista permanecendo como um espectro sobre a política portuguesa para a lusofonia, exige de Portugal uma intervenção maior, alterando padrões cristalizados e promovendo uma nova dinâmica de diálogo. Essa dinâmica deve caracterizar-se não por uma perpetuação das estruturas tradicionais – discurso local-global, em que Portugal emana as directrizes culturais e centrais do diálogo – mas antes por uma verdadeira alteração nos padrões culturais e de ensino em Portugal, e acima de tudo em Portugal.
E porquê acima de tudo Portugal? Primeiro porque Portugal é o ponto de origem da lusofonia e assim sendo acresce de responsabilidades políticas e culturais nessa matéria. Segundo, Portugal é o único país da CPLP que continua sem reestruturar o sistema de ensino à luz da lusofonia.

Fevereiro 17 2009 | Acção Política e Social | No Comments »