
A lista de divindades ou entidades espirituais superiores do complexo panteão angolano-congolês aqui apresentada não comporta a totalidade das mesmas entidades, servindo essencialmente para explicitar uma ideia diferente que nos cabe mais diretamente, enquanto APCAB e Casa Yorùbá de Portugal. Como já foi aqui falado, o panteão do Candomblé Bantu que hoje é reconhecido, cultuado e analizado não corresponde ao antigo panteão do qual algumas divindades foram aqui apresentadas (ver seção Inkices). O que se passa é que o atual panteão do Candomblé Bantu não é mais do que uma adaptação cultural bantu do panteão Yorùbá. Ficou claro, que as divindades originais pouco têm a ver com o panteão Yorùbá e com o panteão atual do Candomblé Angola e Congo. As especificidades de cada deidade foram dissolvidas pelo devir histórico e pela força cultural Yorùbá no Brasil. É por isso que hoje, o Candomblé Angola e Congo não é mais do que uma visão bantu fragmentada da identidade religiosa dos Candomblés de matriz Kétu, estando cada vez mais a perder-se inclusive os nomes bantu das divindades e a assimilar-se as referências Yorùbá, permanecendo a identidade angolano-congolesa viva nas músicas, toques e ritos iniciáticos, no melhor dos casos. Olhando o atual panteão bantu compreendemos o alcançe da assimilação:
Bombo Njila, Pambu Njila, Aluviá – divindade intermediária entre os homens e os deuses. Sincretizado e cultuado como Èsù (Exú). Possui uma esposa chamada de Vanjira que deu origem à Pomba Gira da Umbanda.
Nkosi, Roxe Mukumbi – Nkisi da guerra e das estradas de terra. Sincretizado a Ògún.
Ngunzu – Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra. Sem sincretismo mas o seu culto está praticamente perdido.
Kabila – caçador e pastor, responsável pelo rebanho das flores. Sem sincretismo mas com pouca referência no culto.
Mutalambô, Lambaranguange – Caçador, vive em florestas e montanhas, nkisi de comida abundante. Sincretizado e cultuado como Òsóòsì (Oxóssi).
Gongobira ou Gongobila – Caçador jovem e pescador. Sincretizado e cultuado com Lògúnede.
Mutakalambô – Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores. Com o culto cada vez menos difundido.
Katendê – Senhor das jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais. Sincretizado e cultuado com Òsónyìn (Ossain).
Nzazi, Loango – São o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos. Sincretizado e cultuado como Sòngó (Xangô).
Kaviungo ou Kavungo, Kafungê ou Kafunjê, Kingongo, Kafundeji – Nkisi da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte. Sincretizado e cultuado como Obàlúwàiyé (Obaluaiê).
Nsumbu – Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Congo. Sincretizado e cultuado como Omolú.
Hongolo ou Angorô (masculino) e Angoroméa (feminino) – Auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades (representado por uma cobra). Sincretizados e cultuados como Òsùmàrè (Oxumaré) e Yewá (Ewá) respetivamente.
Kindembu ou Nkisi Tempo – Rei de Angola. Senhor do tempo e estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca. Sincretizado com Ìrokó, embora este mantenha as suas especificidades.
Kaiango – Têm o domínio sobre o fogo. Pouco difundido atualmente uma vez que se mescla com Xangô.
Matamba, Bamburucema, Nunvurucemavula – Qualidades ou caminhos de Kaiango. Guerreira, comanda os mortos (nvumbe). Sincretizada e cultuada com Oyá-Yàsán.
Kisimbi, Samba_Nkisi – A grande mãe. Nkisi de lagos e rios. Sincretizada e cultuada como Òsun (Oxum).
Ndanda Lunda – Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.
Kaitumba, Mikaia, Kokueto – Nkisi do Oceano, do Mar (Kalunga Grande). Sincretizada e cultuada com Yèmonjá (Iemanjá).
Nzumbarandá – A mais velha das Nkisi, conectada à morte.
Sincretizada e cultuada como Nàná Búrúnkú (Nanã).
Nvunji – O mais jovem do Nkisi, Senhora da justiça. Representa a felicidade da juventude e toma conta dos filhos recolhidos. Sincretizada e cultuada como Ibeji.
Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkasuté Lembá, Gangaiobanda – Conectado à criação do mundo. Sincretizado e cultuado como Òòsàálá (Oxalá).
Maio 07 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

Honji é uma divindade feminina da justiça, representada pelos trovões e ventanias associadas e é sobrinha de Muene-Kongo, divindade também da justiça. Quando o mal for rogado para determinada pessoa conhecendo-se o emissor da praga, a sua punição caracteriza-se hemoptises. Contrariamente revela-se através de trovões, relâmpagos e ventania causando desabamentos, a muitos atingindo indistintamente, ou por outro meio de mortalidade coletiva como uma epidemia.
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Relacionado a Nkondi está o Embondeiro, árvore cultuada principalmente para o feitiço. O embondeiro tem forma de garrafão, medindo aproximadamente 12 m de perímetro. É chamado de NKONDO IKUTA MVUMBI – Embondeiro do morto gordo, por que a pessoa contra quem se faça o feitiço, contra quem se prega o prego, morrerá gordo, inchado como o embondeiro.
Conforme o prego usado, o efeito, segundo o povo de Cabinda será mais ou menos imediato. Assim, pregos de cobre ou de alumínio produzem efeito mais imediato. O mais famoso embondeiro encontra-se em terrenos escolhidos pela Câmara, para o Bairro Popular Mendôça Frazão, em Cabinda.
Quem deseja mal a alguém e dele se quer vingar, prega, também, um prego na estátua de NKONDI, jurando que não terá descanso até que o outro seja punido.
Fazem parte do grupo de Nkondi: Mabaria Mandembo, Mangaka, Mungundo, Nsasi-Nkondi, Nkondi Ikula Mvumbi.
Nkondi e Nkosi são considerados espíritos do mal e deles provêm todo o mal aos homens.
Por seus poderes diabólicos, Nkondi e Nkosi permitem e fazem com que os Bandoki (assassinos e comedores de alma) se desdobrem, e ajudados pelos espíritos dos antepassados – manes – arranquem das pessoas o espírito da vida.
# Elizabeth B.Azevedo, Niboji, via «Ritos de Angola»
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Pambu Njila é a divindade que age entre os seres humanos e os demais deuses. Nem bom nem mau, é uma divindade semelhante ao ser humano, sendo aliás a mais próxima do plano terreno. Sua inzo (casa) fica sempre na entrada dos barracões e é a sua marca de guardião, alerta, avisa e protege, agindo como companheiro, amigo e guardião. Sem dúvida na velocidade dos seus caminhos, incomensuráveis pelo tempo, ocorre e corre sua fluidez, sabe do ontem, do hoje e do amanhã. É o Senhor dos Caminhos.
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Mutakalombo é uma divindade/espírito superior que na mitologia terá saído de Portugal e viajado pelo mundo, o que denota bem a simbologia que os navegadores portugueses tinham para o povo bantu. Mutakalombo morreu velho, depois de inúmeras viagens,num montículo de salalé, num musseke das imediações de Luanda e é o protetor dos animais subaquáticos. Faz-se acompanhar de um jacaré, seu animal-símbolo, que o tem como um cão-punidor.
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Na mitologia bantu de Angola e Congo, Simbi ou no plural Kisimbi, são os espíritos que estão entre o plano supremo do firmamento e os seres humanos, ficando imediatamente acima dos Nkuyu, os antepassados. Simbi são os espíritos da água, uma existência que os bantu consideram existir entre o firmamento e a terra, um vasto mar onde habitam os espíritos superiores. Simbi provedem especiais bençãos e dizer ter nascido duas vezes, sendo uma classe superior de antepassados, que pela sua morte foram elevados a altos espíritos, embora nos estejam disponíveis para consulta e aconselhamento.
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Kabila deriva de kubila, significando pastorear, o que significa que Kabila é o pastor de Mutacalombo ou de Mutanjínji, isto é, é a divindade protetora dos animais da floresta e ao mesmo tempo dos caçadores, funcionando como intermediário entre aquele que caça e aquele que é caçado, proporcionando o alimento ao caçador nas medidas necessárias. O caçador deve dividir aquilo que caça pelos demais da sua aldeia, cabendo o maior quinhão à própria divindade, que jamais deverá ser negligenciada, sob pena de não voltar a permitir que o caçador capture qualquer animal.
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Vunji é uma divindade da justiça e nasceu de uma lagoa. Está associada ao ventre materno e à mestruação, sendo uma divindade que se manifesta durante a gestação pela ausência do catamênio (menstruação), desde o último filho referente ao fenômeno, isto é, a mulher alcança sem o aparecimento do mesmo. Segundo a crença, quem se lamentar na presença da presença da eleita, no período pré-natal, vê concretizado o seu desejo de justiça, devendo no final do queixume acrescentar “Senhora Vunji, o que disse, não é para ti. Apenas desabafei com o meu amigo (ou amiga)”. Se o acidente ocorreu depois do nascimento nada de mal acontecerá relacionado com o queixume. Os castigos de Vunji são de ordem natural, manifestando-se através de anemia, tosse seca ou enfraquecimento da vista.
Luango, por seu turno, manifesta-se durante a gravidez através da continuação da mestruação, apesar de aguada. Luango é companheiro de Vunji.
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