Antropologia | O Brasil de Nina Rodrigues

O contributo de Nina Rodrigues para a Antropologia brasileira foi fundamental. Fundamental mas não positivo. Inscrito na corrente evolucionista social, Nina Rodrigues dedicou-se à análise social e cultural da Bahia, e em especial da sua capital, Salvador. Nas suas análises acerca da decadência bahiana, em 1890, Nina Rodrigues desconsiderou a mudança da capital para o Rio de Janeiro em 1763, a proibição do tráfico atlântico, os ciclos económicos internos que abalavam o resto do país, o que propiciou a migração de escravos para a Bahia, centrando-se exclusivamente na predominância da raça negra e mestiça como factores desiquilibrados da estabilidade bahiana.
Esta postura de Nina Rodrigues, inscrevia-se bastante bem no evolucionismo social vigente e importado, originário do evolucionismo biológico e das considerações de Darwin. Do seu ponto de vista a situação sócio-económico bahiana encontrava na herança negra — doenças, costumes e religião — os factores explicativos.

No que concerne à religião negra, o Candomblé (assunto que abordaremos mais à frente neste blogue), Nina Rodrigues é também muito claro: trata-se de uma religião inferior, fetichista, contaminadora da população branca. Segundo ele, o monoteísmo católico, proveniente da Europa mais evoluída e civilizada, entrava em conflito com a feitiçaria africana e astrolatria indígena.

Daqui ressalta que Nina Rodrigues, herdou dos pensadores ocidentais vigentes e anteriores, a crença na existência de raças superiores e inferiores. Aplicando tais preconceitos ao Brasil, Nina Rodrigues entendeu que os negros e mestiços representavam um perigo extenso para a sociedade brasileira. As suas ideias influenciaram sobremaneira as políticas sociais no Brasil, de tal forma que a segregação negra se tem mantido até hoje e o direito ao voto só foi conquistado em 1985.

Abril 23 2007 | Antropologia | No Comments »

« Prev