√ África Ocidental e escravatura.

slavery

Depois do impacto da região Centro-Ocidental africana, o comércio de escravos voltou-se para a África Ocidental, nomeadamente para o Golfo do Benim, não apenas porque a anterior região africana passou a estar sob o jugo holandês e, deste modo, o fluxo de escravos passou a ser feito entre a África Centro-Ocidental e Pernambuco, como ainda porque a África Ocidental era um excelente mercado para o fumo de terceira categoria bahiano, proibido de ser enviado para o reino português e autorizado pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Um decreto real, datado de 12 de Novembro de 1644, concedia autorização aos navios carregados de tabaco, para que estes deixassem a Bahia em direcção à baía do Benim, a fim de negociarem tabaco por escravos, originando-se um comércio bilateral intenso entre as duas baías.

Segundo dados de “Trans-Atlantic Slave Trade – a dataset online”, de David Richardson e Manolo Florentino, entre 1581 e 1850 chegaram à Bahia, vindos da África Ocidental, 963.996 negros escravizados, de um total de 1.522.203 de negros desembarcados. Isto revela a importância central que a África Ocidental, particularmente o Golfo do Benim, teve no longo e doloroso processo da escravatura brasileira.

Novembro 01 2009 | História do Brasil | No Comments »

√ Portugal quer branquear a história – 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo

 O concurso «7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo» pretendeu eleger as sete edificações mais emblemáticas do período colonialista português. De entre vinte e sete edificações foram escolhidas sete vencedoras. Sem negar a beleza estética-arquitetónica das construções a organização do mesmo levou a cabo um processo de branqueamento escandaloso que não pode ficar em claro. Num registo próximo ao discurso oficial do Estado Novo, a descrição histórica dos lugares conta não a história mas a estória que melhor cabe e menos fere.

A Fortaleza de São Jorge da Mina, no Gana, serviu durante séculos de porto de embarque de milhares de escravos rumos às plantações de açúcar e mais tarde para os trabalhos urbanos no Brasil colonial. Esta fortaleza que funcionava assim como feitoria, era um porto importante de compra e venda de mão-de-obra escrava africana, originária não só das terras do atual Gana mas também dos vizinhos povos do Golfo da Guiné, povos como os Yorùbá e os Ewe-Fon. Todavia, na descrição oficial da Fortaleza, na página do concurso, apenas aparece a descrição de porto de comércio de ouro.

Cidade Velha de Santiago – a antiga e bela cidade cabo-verdiana serviu desde a chegada dos portugueses até à abolição da escravatura de porto de comércio de escravos destinados ao Brasil, com tráfego particularmente intenso durante o primeiro ciclo da escravatura brasileira, aquando do povoamento, desbravamento e plantio das terras. Ao mesmo tempo a cidade recebeu durante décadas escravos oriundos de outras regiões africanas para os plantios nas terras cabo-verdianas.

Portanto, o que temos aqui não é mais do que uma leitura parcial da história da presença portuguesa no mundo. Apagando deliberadamente os aspetos que não interessa constar no discurso oficial, negligenciando a memória da escravatura, das suas vítimas e das suas heranças.

Não é grave, é gravíssimo.

Julho 01 2009 | Acção Política e Social | 1 Comment »

√ Relato da Escravatura

“Arrancado a um estado de inocência e liberdade de forma tão cruel e bárbara, e assim remetido para um estado de horror e escravatura: eis uma situação de abandono que é mais fácil imaginar do que descrever”.

Ottobah Cugoano, escravo sobrevivente, 1787

Abril 10 2009 | Antropologia | No Comments »