
As religiões e comunidades religiosas afro-brasileiras convivem de perto com os dramas sociais mais complexos como as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e gravidez adolescente. Têm total consciência de que a sexualidade é vivida de forma livre e muitas vezes despreconceituada. A visão afro-brasileira da mesma não contempla dilemas nem dramas morais, a sexualidade é tão natural como a própria humanidade, tratando-se apenas de uma parte da experiência humana, de um instinto básico e natural, ausente de grande concepções morais.
As comunidades religiosas afro-brasileiras têm sido parte ativa e parceiras estatais na luta contra a propagação do vírus da SIDA (AIDS), nas campanhas sociais de rendimentos mínimos e no combate à exclusão social. Dessa forma, a APCAB, enquanto representante legal em Portugal da tradição cultural e religiosa afro-brasileira, defende políticas educacionais voltadas para a Educação Sexual e a destribuição de preservativos nas Escolas Secundárias de Portugal, reproduzindo o modelo brasileiro, a fim de combater a propagação das referidas doenças e evitar a gravidez precoce, numa leitura diferente das demais confissões religiosas, citadas hoje no jornal «Público».
Maio 18 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

Na promoção do diálogo intercultural – necessidade das sociedades modernas, verdadeiros potes de identidades e etnias – a educação assume e tem de assumir particular relevo. Somente através da educação se poderá formar cidadãos pluriconscientes, capazes de enfrentar novos desafios, de reconstruir pontes, descontruir preconceitos, encontrar caminhos alternativos no contacto entre culturas, credos e raças, colocando-as em iguais patamares de diálogo. A formação cívica, as áreas de projecto e demais espaços de reflexão e trabalho de composição, são oportunidades diárias de combate aos estereótipos, aos lugares-comuns, aos racismos, xenofobias e atitudes de prepotência religiosa. O caminho está traçado, as directrizes estão definidas, falta a vontade e a coragem de lançar os dados. É agora!
Março 31 2009 | Acção Política e Social | No Comments »

Em 2003, o Presidente da República, Luis Inácio da Silva, sanciona a Lei 10.639/03 alterando a Lei no 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, que estabelece as directrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Em 19 de Maio de 2004 foi homologado o Parecer CNE/CP Nº 003/2004, de 10/3/2004 que estabelece as directrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e traz orientações de como a lei 10.639/2003 deve ser implementada. A 10 de Março de 2008, Luis Inácio da Silva, sanciona a Lei 11.645 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para inserir, ao lado da obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, a temática da “História e Cultura Indígena”.As políticas socias, sócio-culturais e educacionais, do denominado “Governo Lula” marcam um novo paradigma de comportamento governativo: a afirmação real da multiculturalidade identitária sob todos os seus prismas. A consciência do contributo africano para a formação da nacionalidade brasileira (se que é que ela de facto existe) é um avanço na implementação de um sistema social mais igualitário. O resgate da herança original brasileira — a indígena — é uma afirmação de uma «política das raízes» (conceito nosso). Contudo, o caminho traçado pelo actual governo, enfrenta as tradicionais forças sociais, mais interessadas na manutenção do status quo e menos empenhadas na afirmação da diversidade. São precisamente essas forças conservadores que suspiram pelo fim do «Estado Logístico» de Lula, onde a autonomia decisória e as parcerias estratégicas substituiram a dependência histórica face aos Estados-Unidos. Dependência histórica (centro-periferia) fruto de uma globalização assimétrica, que ao mesmo tempo encaixava no projecto identitário das classes altas e urbanas brasileiras, particularmente paulistas: a afirmação de um país economicamente dependente dos Estados-Unidos, sim, mas culturalmente influenciado por estes. O Brasil de hoje é muito mais realista, multicultural e progressista. Todavia continua a não gerar consensos nas forças sociais.
Para nós é óbvio que está hoje muito melhor do que esteve durante toda a década de 1990.
Junho 13 2008 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »