Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, abriu a cimeira sobre o racismo falando da islamofobia e dos negacionistas do holocausto (ver Público). Os dois temas permanecem como paradigmas de análise do confronto civilizacional. Até quando a análise dos confrontos e atentados contra as culturas e religiões africanas? Esta é uma questão que não veremos respondida. Não tão cedo.
Abril 20 2009 | Acção Política e Social | 1 Comment »
1. Religião deriva do latim “re-ligare” traduzindo-se por “religação” remete-nos para o reencontro com o divino, o colar de linhas quebradas entre o ser divino e supremo e o mortal, fruto da sua criação. Nesse sentido, religião engloba todas as práticas humanas voltadas para o transcendental que promovam a reunião do crente com o universo do sagrado. As religiões definem agrupamentos humanos e conferem unicidade às culturas.
2. O termo Seita significa “facção”, “divisão” e refere-se a divisões que ocorrem no seio de uma determinada religião, como se fala na Bíblia das seitas judaicas. Seita, nada tem a ver com crença demoníaca, remetendo antes, isso sim, para um caminho alternativo, para uma nova forma de manifestação religiosa que advém de uma religião professada.
O Candomblé é uma religião e não uma seita. Ao contrário do que muitas vezes se procura veicular não se trata de uma crença ou prática religiosa afro-cristã (já para não falar que apelidar o Candomblé de seita demoníaca constitui um atentado ao bom-nome da religião e uma tenta de difamação barata). O sincretismo religioso enquanto mecanismo de preservação da religião face à opressão esclavagista empurrou o Candomblé para a definição de seita afro-cristã. Todavia, o Candomblé não deriva em nada do Cristianismo. Trata-se de uma religião formada em território brasileiro que deriva de um conjunto de práticas religiosas de diversas etnias africanas. Não é resultado de cisão de uma outra religião, não é uma manifestação cristã desenvolvida pelos escravos africanos, nem tão pouco se trata de uma crença baseada no Anti-Cristo. A veiculação de essas ideias não só promovem uma descrença e um descrédito face à religião, como ainda erguem barreiras ao diálogo inter-religioso. O Candomblé é uma religião e não uma seita.
Dezembro 21 2008 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
Diálogo Inter-Religioso deve ter por princípio norteador a equidade, a equidistância e a laicização da mediação. Ao ser impossível atingir estas regras-chave, o diálogo inter-religioso cairá no erro de perpetuar a unilateralidade ou bilateralidade do interlóquio e manter-se no paradigma do discurso dos vencedores sobre os vencidos. No diálogo intercultural e no diálogo inter-religioso, a preservação desse paradigma, particularmente caro às igrejas cristãs, não pode ter lugar. Não só porque não se trata de um caminho, mas antes de o camuflar do diálogo, mas também porque simboliza o pressuposto negativo da superioridade e da tolerância-complacência.
A tolerância-complacência é uma atitude assumida pela generalidade dos sujeitos religiosos como verdadeiro sinónimo da inter-religiosidade. Todavia, tal postura pública é tão nefasta quanto o sincretismo. Partindo de uma auto-afirmação de superioridade e de verdade absoluta, a tolerância-complacência nada mais do que a exteriorização da ideia de superioridade que aceita o outro como um sinal da sua magnitude. No fundo, em linguagem corrente, é passar a mão no pêlo, dizendo sempre “eu sou superior, eu tenho a verdade, mas tolero, a ti que estás enganado, porque sou magnânime”.
Dezembro 15 2008 | Acção Política e Social | No Comments »