Darwin, na sua teorização sobre povos e culturas, ignorou o papel dos colonizadores nas transformações sociais dos povos africanos, indianos e indígenas. A Antropologia estabeleceu o princípio de que o desenvolvimento humano se processava em etapas rígidas, construindo também a noção de estágios de desenvolvimento tecnológico que serviram como critério de comparação entre as diferentes sociedades. Estas proposições tornaram possível a organização das sociedades humanas em graus de maior ou menor desenvolvimento científico, sempre partindo de um paradigma eurocêntrico.
Daqui construiu-se o “darwinismo social”, a proposição de que todos os humanos são desiguais por natureza graças a aptidões inatas. Um racismo histórico, que se manteve até ao século XIX e XIX em certos países e contextos sociais e políticos.
::Nota Conclusiva:: o “darwinismo social” representou uma fase primária antropológica pouco académica, à luz dos conceitos de hoje, apresentando valores e pressupostos construídos a partir de uma visão egocêntrica e de uma análise estereotipada das civilizações. O padrão europeu era usado como comparativo, neste sentido, tornou-se impossível entender as realidades de um povo, facilmente se construíram conceitos e análises racistas.
Abril 18 2007 | Antropologia | No Comments »
::Evolucionismo Biológico e Evolucionismo Social::
Herbert Spencer (1820 – 1903) pode ser considerado como o fundador do racismo científico, tendo em conta as suas teses em torno do “evolucionismo social”, tal como ele o denominou, nas quais Spencer transplantou do campo biológico para o campo cultural, o modelo das tipologias e dos sistemas classificatórios, implementando a noção de diferenças entre os povos e as sociedades.
Este, caracterizou os povos em inferiores e superiores, sendo que aos primeiros correspondiam os
colonizados e aos segundos os colonos europeus. À sociedade industrial atribuiu, Spencer, a categoria de mais civilizada e evoluída, tendo por base as suas formas de organização e divisão do trabalho. As demais, foram designadas por primitivas, especificando-as como homogéneas, graças à incapacidade dos seus elementos alterarem artificialmente as suas condições e deste modo promoverem diferenciações económicas. Spencer adianta que, no processo de evolução social, existia uma luta pela supremacia, da qual se estabelecia a superioridade do mais forte e a subordinação do mais fraco.
Charles Darwin (1871 – 1974), influenciado por Spencer, afirmou que da análise comparativa entre raças era possível encontrar diferenças ao nível da constituição, aclimatização, susceptibilidade a determinadas doenças, capacidade mental e emocional. O pano de fundo do racismo biológico ficou bem claro em Darwin:
Por conseguinte, quando os selvagens de qualquer raça foram inesperadamente constrangidos a alterar o seu modo de vida, tornaram-se mais ou menos estéreis e a saúde dos seus filhos foi afectada da mesma maneira e pelas mesmas causas que a dos elefantes e do leopardo da Índia, (…) arrancados das suas condições naturais…Seguramente as raças civilizadas podem suportar mudanças de todos os géneros muito melhor do que os selvagens e sob este aspecto fazem lembrar os animais domésticos…
Abril 16 2007 | Antropologia | No Comments »