Festa da Boa Morte

Mantendo a tradição histórica da Irmandade, os fundos indispensáveis à realização da festa provêm dos donativos populares uma vez que a irmandade não tem fundos próprios para a organização dos eventos. Estas contribuições populares representam um acto que aproxima o profano e o sagrado, as populações e a instituição, e que trás consigo uma carga simbólica inerente à oferenda ou contribuição religiosa, isto é, a oferenda do devoto transforma-se numa dádiva do divino, tendo presente que no imaginário popular as mulheres da Boa Morte são detentoras de um poder especial do qual poderão advir coisas boas para quem lhes agradar. É óbvio que esse poder reconhecido tem também uma componente ligada ao culto dos Orixás, uma vez que as negras da irmandade são também sacerdotisas ou membros importantes das comunidades/terreiros de candomblé.

Estruturalmente, a festa da Boa Morte compõe-se de três etapas: a primeira diz respeito aos ritos de preparação; a segunda etapa remete para as cerimónias públicas e privadas, e a terceira, a final compreende o fecho da festa, com o samba-de-roda, a mesa fria e os ritos privados.

Novembro 05 2007 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

Ethos Africano nas Irmandades

As irmandades religiosas africanas foram de facto instituições onde foi possível a reelaboração do ethos africano. Elas constituíram o local onde fecundou o embrião do culto aos orixás a partir da união de cultos religiosos específicos de cada etnia, possível, é bem verdade, pela similaridade ritual em torno de um deus comum iorubano. Resistia-se, assim, à tentativa branca de impedir a organização africana em torno de um propósito comum de resistência cultural e política.

Luiz Nascimento, Presença do Candomblé na Irmandade da Boa Morte.

Outubro 14 2007 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »