
O crescimento das igrejas salvacionistas no Brasil, de natureza evangélica, tem promovido o preconceito e a perseguição religiosa face às religiões de matriz afro-descendente no Brasil, recuperando um clima de temor que imperou durante séculos no seio das comunidades religiosas do Candomblé (em maior grau do que a Umbanda, nascido em clima de maior abertura). A ausência de uma instituição central representativa do Candomblé e a falta de reconhecimento do Candomblé como religião por parte do governo brasileiro (diferentemente do que acontece em Portugal, onde existe um órgão central que conquistou o reconhecido do Candomblé como religião – Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá) levam a que os fiéis do Candomblé e a própria religião continuem a estar associados a práticas demoníacas.
É necessário, pois, que o Estado Brasileiro promova uma política de controlo e combate à perseguição religiosa de que os cultos afro-brasileiros são ainda alvos privilegiados. Sítios na internet como o Intellectus, que demonizam e violentam verbalmente as religiões de matriz africana, deveriam ser encerrados. É preciso fazer mais e melhor no combate pela igualdade religiosa.
imagem via: http://herculano-coisasdobrasil.blogspot.com
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&client=firefox-a&hs=017&rls=org.mozilla%3Apt-PT%3Aofficial&q=comunidade+portuguesa+do+candombl%C3%A9+yoruba&aq=f&aqi=&aql=&oq=&gs_rfai=
Agosto 31 2010 | Acção Política e Social | No Comments »
Bahia de todas as Áfricas A trajetória dos líderes e devotos do candomblé do século XIX revela que a história das religiões afro-brasileiras é, sobretudo, a de crescente mistura étnica e social
João José Reis
Foi na Bahia do século XIX que ficou estabelecido o modelo básico adotado pelo candomblé que conhecemos hoje. Segundo a tradição, o Ilê Iya Nassô – a Casa de Mãe Nassô, popularmente conhecido como Candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca – teria sido o primeiro a celebrar diferentes deuses simultaneamente sob o mesmo teto. Essa prática refletiria alianças entre grupos étnicos diferentes, contribuindo para a consolidação de novas identidades africanas em terras brasileiras.
Mas teria sido aquele terreiro o único com essas características no ambiente que o viu nascer? Pouco se sabe sobre a história das religiões afro-brasileiras no século XIX, inclusive sobre os indivíduos e grupos envolvidos. É a respeito de líderes, acólitos, devotos e clientes que vamos falar aqui. Informações sobre homens e mulheres participantes de formas diversas nesses rituais aparecem basicamente em dois tipos de fontes, os registros policiais e as notícias de jornal. Esses documentos eram produzidos por indivíduos que, em geral, não eram iniciados no candomblé, não tinham interesse nele como tema de pesquisa, curiosidade ou lazer, e que o estavam perseguindo e/ou condenando. Por isso, as informações que apresentam são quase sempre incompletas, distorcidas ou simplesmente equivocadas. Apesar disso, elas revelam muito das práticas e dos praticantes ligados aos cultos de origem africana ao longo do século XIX.
Agosto 24 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
A vasta obra composta sobre as religiões afro-brasileiras, desde os clássicos como Bastide até aos dias de hoje, têm reafirmado e transportado a ideia de que o compósito que constituiu o Candomblé da Barroquinha é uma inovação totalmente africana, alicerçada na fórmula da agregação de diferentes Orixás num mesmo espaço-templo. Contudo, a repisagem do mesmo discurso tem servido para impedir leituras mais profundas. Importa pensar no fenómeno como africano.
Julho 29 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
(…) O vínculo estreito do povo-de-santo com a natureza, e o estreito vínculo destes com as divindades, fazem do candomblé uma religião imanente, longe das abstrações metafísicas das religiões transcendentais. (…) a religião comunitária do candomblé representa uma alternativa viável, representa uma volta simbólica à natureza, representa uma relação íntima e corporal com os “deuses” (orixás), representam uma vivência coletiva, em sociedade, uma potencialização da sexualidade humana e a valorização do feminino num mundo predominantemente masculino. Assim, esses elementos estruturantes do candomblé apontam respostas concretas para a crise dos modelos ocidentais.
# Eduardo David de Oliveira in “Cosmovisão Africana no Brasil”, p. 98
Junho 11 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

Agradecemos ao Babalorixá Joel do Ilê Axé Eiyelé Ogê, nosso irmão no Ilê Odô Ogê, pela seguinte informação:
Durante esta semana o Ilê Odô Ogê, Roça do Pilão de Prata, na Alto do Caxundé, Boca do Rio, Salvador, Bahia, foi visitado por um fiscal do governo por denúncia de violação da ordem pública por “tocar Candomblé”, como se dizia no tempo da ditadura em que o Candomblé era proibido. Apesar de ter sido tombado como património e ter sido reconhecido como espaço religioso de mérito, o Pilão de Prata começa a ser vítima da intolerância religiosa das igrejas evangélicas que nascem nas imediações do Terreiro. Resta aguardar que o governo seja capaz de aplicar a laicidade e faça respeitar o direito a “tocar candomblé” como prática sonora religiosa, tal como as igrejas têm o direito de tocar os sinos e órgãos.
Março 22 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | 3 Comments »
Diversamente do que acontece nos demais cultos e religiões existentes no Brasil, a divindade se apossa do crente, nos cultos negros, servindo-se dela como instrumento para a sua comunicação com os mortais. A possessão também se dá no espiritismo e na pajelança, mas em condições diferentes: no espiritismo são os mortos, e não as divindades, que se incorporam nos crentes; na pajelança, embora sejam as divindades dos rios e das florestas que se apresentam, somente o pajé, e não os crentes em geral, é possuído por elas. Assim, não é o fenômeno da possessão, por si mesmo, que caracteriza os cultos de origem africana, mas a circunstãncia de ser a divindade o agente da possessão. Essa a característica principal desses cultos.
# Edison Carneiro, Os Candomblés da Bahia
Março 15 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
Ele circula pela cena seguro, confiante, respeitado. Seu lugar, quando não está tocando, é geralmente perto da plataforma sobre a qual se instalam os tocadores de atabaques, e nas cerimónias em que os deuses, nas pessoas possuídas por eles, cumprimentam e abençoam aqueles membros do culto e espectadores a quem desejam favorecer, eles são invariavelmente escolhidos. No intervalo, quando os “deuses” estão sendo vestidos, ele entra no barracão ou fica à volta, conversando com amigos e os músicos que o acompanham, até chegar novamente a hora de retomar seu lugar.
# Herskovits
Fevereiro 12 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
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