Candomblé | Nota Introdutória
Com o passar do tempo a organização do culto tomou os seus moldes mais ou menos definitivos preservando-se em Casas de Culto constituídas para o efeitos e que hoje são património do governo federal do Brasil e tidas como as casas onde ainda se pratica a religião no seu estado mais puro. São elas a Casa Branca do Engenho Velho (Salvador da Bahía), Kwe Cejá Undé (Cachoeira de São Félix, Bahia), Bate-Folha (Salvador da Bahia), por exemplo. Estas casas fundadas ainda por escravos representam a herança africana de reis e rainhas escravizadas num Novo Mundo. O final do século XIX marcou uma viragem com a Abolição da Escravatura (1888) e com o começo das perseguições mais intensas das práticas religiosas negras na Bahia, a “guerra santa” empreendida pela polícia, com a violação dos locais sagrados e com a destruição de templos do Candomblé. A guerra foi longa. Em 1960 dá-se uma viragem no rumo dos acontecimentos com a democratização do culto, que passa a ser frequentado por brancos, poetas, pintores, pensadores, e as sacerdotisas (Ìyàlóòrìsàs) passaram a ser alvo de respeito e até de culto individualizado, cantando-se sobre elas, pintando-as, etc, recorrendo às suas memórias vivas e tradição oral para recuperar a história da Bahía, Maranhão, etc, onde os negros foram colocados. Com a popularidade do culto sobreveio um problema que nunca mais teve fim: os falsos sacerdotes ou sacerdotisas. Apaixonados pela beleza do culto muitos foram os que se dedicaram a improvisar templos em quintais e assumirem-se como sacerdotes. De quatro ou cinco casas de culto passam a existir quatro mil, maioria da qual sem quaisquer tradição ou credibilidade. Em 1976 a Liberdade Religiosa chega à Lei Brasileira mas não ao quotidiano, onde, ainda hoje, o Candomblé é perseguido e mal tratado, também por culpa de improvisadores do culto e da “guerra santa” empreendida pela IURD e Igrejas Evangélicas.
Junho 26 2007 05:46 pm | Religiosidade Afro-Brasileira




