√ Candomblé e Mundo Académico
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Candomblé, enquanto herança etno-cultural africana no Brasil, despertou a atenção da comunidade científica, em particular as ciências ligadas à studia humanitatis, as humanísticas, das quais a antropologia, a sociologia e mais tarde as ciências religiosas, têm particular destaque. Essa comunidade científica, formada na década de 1960, foi uma ávida leitora de Pierre Verger, o etnólogo self-made.
O interesse recém-fecundado deitou o olhar sobre as tradicionais casas de candomblé jeje-nagô – em detrimento do candomblé angolano-congolês – sendo elas: Casa Branca do Engenho Velho, Axé Opô Afonjá e Gantois. Durante longos anos Mãe Menininha e Mãe Senhora congregaram todas as atenções, criando em torno das suas fortes personalidades uma áurea de mistério e sedução estética. Antropólogos e sociólogos beberam os seus conhecimentos, a tradição oral e a estética dos ritos e sobre elas escreveram centenas de livros.
Hoje, com a massificação do candomblé e a proliferação de novos terreiros, o candomblé atravessa um período de recodificação, ao mesmo tempo que o apelo às raízes e às casas tradicionais, a filiação aos velhos candomblés, e a popularização das novas casas – através do ciberespaço – jogam o jogo da originalidade e da modernidade. Do lado da modernidade habitam os novos sacerdotes e sacerdotisas, feitos a ritmos diferentes da tradicional passagem dos conhecimentos, de vontade própria e não por manifesta vontade dos Orixás, oriundos de casas pouco conceituadas, que se fizeram no candomblé num verdadeiro processo de saltimbanco, com uma obrigação aqui outra acolá, sem verdadeira filiação ao candomblé tradicional. São também sacerdotes que convivem bem a impureza do culto, agregando traços das diversas casas por onde passaram, chegando mesmo a albergar ritos da Umbanda, Ketu, Angola e Caboclo.
Para o candomblé tradicional, esses novos sacerdotes, modernos, representam uma desestruturação da tradição, o lado mundano da religião e candomblés profanos e sem fundamento. A sua legitimidade advém no número de pessoas que conseguem agregar à sua volta, mas sobretudo e negativamente sobretudo da parte dos antropólogos e sociólogos que esgotado o acesso às casas tradicionais se embrenham nas roças de verdadeira clandestinidade ritual, produzindo inúmeros ensaios e racionalizando práticas rituais incorrectas. Para tais estudiosos, particularmente recém-chegados ao estudo das religiões afro-brasileiras (tema em voga e superlotado de curiosos académicos) não interessa tanto a veracidade das práticas mas o acesso ao seu estudo. São eles, em última análise, os principais promotores do falseamento do culto. Em Portugal, começam a surgir tais curiosos, que a troco do acesso à informação – em estado perfeitamente desorganizado e incoerente – legitimam as casas de culto afro-brasileiro, servindo-se desse pseudo-conhecimento para se auto-legitimarem no meio académico, desinformado que está acerca das religiões afro-brasileiras, acabando por leccionar temáticas para as quais não estão preparados.
Tags: Candomblé, mundo académico
Outubro 07 2008 03:34 pm | Religiosidade Afro-Brasileira





Neuza Maria Pereira Lima on 19 Jan 2009 at 3:58 #
CORTEJO *AGUAS DE OXALA*
CONVITE – JUNTOS DIGAMOS NÃO A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA. Neuza Maria – Araras – SP
http://images.orkut.com/orkut/albums3/ATgAAADvUI0fx6B1XA7WDW5iZSViTiqNTcm4pc9vQHzs_qXArSUBiozNUSvRAEqedxVneJBXJC257m0GT0SZ6Tq-MunoAJtU9VC65r7rde1cmkCh-NHbQ9USx_ex-g.jpg
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=16797270926663336326
Priscila on 18 Mai 2010 at 2:55 #
Onde encontrar uma casa “tradicional” em São Paulo?
Joao Ferreira Dias on 02 Jun 2010 at 10:55 #
Sugerimos a casa de Iyá Gisele Cossard.