√ Oyá contada às crianças

A Fundação Cultural Palmares publicou e nós temos o prazer de disponibilizar aos nossos leitores, uma pequena publicação, ilustrada e divertida, sobre um dos mitos do Orixá Oyá-Yasan. Serve bem para a passagem da tradição aos mais novos. Descarregue aqui.

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Dezembro 17 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Guélédé

o espetáculo gueledé originou-se em Keto, onde Iyá Nlá praticava uma dança com uma escultura na cabeça, a qual atraía a atenção de muitas mulheres e crianças. Quando Iyá Nlá morreu, a obrigação de continuidade da dança ficou a cargo do seu marido, Babá Abọrè. De forma fantástica, logo depois que Babá Abọrè fez a apresentação, a prosperidade de sua comunidade mudou drasticamente para melhor: mulheres inférteis tornaram-se mães; os campos deram colheitas fartas; os caçadores e pescadores abatem muitos animais; as doenças deram lugar à saúde e houve uma redução significativa da mortalidade infantil. Então, os anciãos dedicaram um templo a Iyá Nlá e imploraram a Babá Abọrè que fizesse a apresentação anualmente. Depois que Abọrè morreu, uma estátua sua foi colocada ao lado da de Iyá Nlá, no mesmo altar. Assim, tornou-se uma tradição que as máscaras dancem em pares masculino-feminino, remetendo a esse casal mítico.

# JUNIOR, Ademir Ribeiro. Parafernália das mães-ancestrias (…), Univ. São Paulo

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Dezembro 15 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ O espetáculo Guélédé

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Dezembro 12 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A mulher Yorùbá (3)

Para os yorùbás, a mulher está intrinsecamente ligada à maternidade e dessa forma ao mistério da vida, simbolizado pela menstruação. Pelo mistério da vida que lhe é intrínseco, a mulher é tida como potencial membro do culto a Ìyá-mì, isto é, como membro da Sociedade Guélédé, de que falaremos mais adiante. É então legítimo afirmar que maternidade e culto de maternidade são duas faces de uma mesma realidade, nos seus campos biológico e sagrado. O poder simbólico da maternidade é também alvo de atenção artística, porquanto os valores e as representações estéticas interpenetram todas as esferas da vida yorùbá. Desta forma, no culto de Ìyá-mi se apresentam duas imagens poderosas: o ajoelhamento (Ìkúnlẹ̀ Abiyamọ) que simboliza a posição e a dor do parto (poderosa invocação de força de acção) e a amamentação (ọmú ìyá) que representa o sagrado leite da vida que alimenta os filhos.

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Dezembro 09 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Perspetiva interior

Os novos cientistas sociais, observadores da realidade religiosa de uma janela exterior, vêem-se a si mesmos como posicionados num patamar acima dos observadores internos, considerando-se como mais bem preparados para compreender o campo sócio-teológico do objeto de análise. Ora, esquecem-se que a informação que buscam e que mais validam (isto é particularmente evidente no caso Yorùbá) é precisamente aquela construída de uma perspetiva interna. Informações construídas de fora resultam, não raras vezes, na construção de validades científicas fraudulentas – com a passagem continuada de mitos em torno dos Òrìsà que foram construídos por missionários cristãos. Esquecem-se que de fora só vêem aquilo que lhes é dado a ver, da maneira que lhes é dada a perceber. Chegam a ser ingénuos os espíritos académicos distanciados.

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Novembro 20 2009 | Religiosidade Afro-Brasileira | 1 Comment »

√ Fundação de Òyó

Segundo Stride e Ifeka (1971), Oranmiyan, na altura segundo príncipe de Ifé, terá feito um acordo com o seu irmão a fim de que lançassem um ataque aos vizinhos do norte por insultos a Oduduwa, seu pai e Oniiife. Mesmo a mesma narrativa, os dois irmãos terão encetado uma briga entre eles durante a expedição, da qual resultou a divisão do exército entre os dois comandantes. Como o exército de Oranmiyan não possuía um número capaz de enfrentar o desafio do combate, eles vagaram toda a costa sul até à chegada de Bussa. Foi na costa sul que Oranmiyan se encontrou com um chefe local que lhe ofereceu uma cobra com um encanto/feitiço preso ao pescoço. Segundo indicações do chefe local, Oranmiyan deveria seguir a cobra até que ela parasse e permanecesse num lugar por sete dias ao cabo dos quais ela desapareceria no solo. Oranmiyan seguiu o conselho do chefe e fundou Oyó, entregando a governação de Ilê-Ifé a Adimu, que se tornou o rei de uma nova dinastia de gbogbo Oníìfè, isto é, de todos os reis de Ifé.

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Novembro 04 2009 | Antropologia | No Comments »

√ Eurocentrismo e racismo biológico: religião e religiosidade

…um grande terreiro muito limpo, no meio do qual estavam quatro tangedores festejando um ídolo que tinham no chão, posto sobre um fino pano de seda, com uns chocalhos e uma campainha; estariam então no terreiro coisa de mil gentios, todos estirados e untados no rosto e no corpo com várias castas de erva, que pareciam diabos, pedindo água ao ídolo.

# relação jesuíta, 1588, reino do Congo

… havia anos (…) sem nunca chover uma gota de água nas terras deste soba, sendo que chovia na dos seus vizinhos; mas que em vindo a cruz, logo chovera.

# Teixeira de Mendonça, 1645, região de Kikombo, reino do Soba Kionzo

Estes dois trechos mostram bem como o racismo biológico era aplicado à religiosidade. Enquanto os tradicionalistas, com ar demoníaco, pediam em vão ao ídolo que chovesse, na região de Kikombo bastou chegar um jesuíta com um crucifixo para que logo viesse a chuva. Esta desestruturação e desconstrução da religiosidade africana ao nível do demoníaco e o caráter salvador do cristianismo, tudo nestes trechos expresso, revelam o pensamento da época, em que os missionários cristãos salvam das garras do demónio os erráticos africanos.

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Novembro 02 2009 | Antropologia | No Comments »

√ Eurocentrismo e racismo biológico

Os naturais trabalham pouco nas terras (…) por serem propensos à preguiça (…) cultivando-se pouco terreno, frequentemente ficam os naturais aflitos por horríveis carestias. (…) Pode parecer incrível que, com todo o vigor que Nosso Senhor os priveligiou, juntem tanta preguiça e inaptidão nas ocupações diárias e domésticas (…). Os europeus quando não podem andar a pé e se servem das costas destes pretos que levam os brancos nas tipóias ou de outras maneiras, gastam frequentemente cinco ou seis dias num percurso que em qualquer outra parte levaria dois. Nisto não há outra razão senão a preguiça deles. (…) Muita esperança há em que, com o tempo e a ajuda de Deus e pelos nossos cuidados, os naturais (…) se tornem mais acessíveis e mais dispostos a moderar as suas paixões e a enveredar pela senda da razão, aceitando a regra civil e os costumes da religião cristã.

# Cavazzi, Istorica Descrizione, Angola século XVII

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Novembro 02 2009 | Antropologia | No Comments »

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