√ Entrevistas: Rui Cerdeira Branco
A APCAB – através da sua página – está a realizar uma série de entrevistas subordinadas ao tema afro-brasileiro. Pretende-se, com as entrevistas, compreender as diversas leituras que se fazem da identidade e expressão cultural afro-brasileira e da influência da mesma na identidade portuguesa. O convidado de hoje é Rui Cerdeira Branco, técnico superior de estatística no INE, autor do blogue «Adufe».
APCAB: O que lhe sugere o termo «cultura afro-brasileira»?
RCB: A dança/arte marcial “capoeira” foi a primeira coisa que me veio à cabeça perante a associação do termo cultura afro-brasileira. Poderia ter pensado em milhentas outras coisas (a MPB que anda em aniversário solene por exemplo) mas julgo que a capoeira é um bom exemplo da vitalidade, da musicalidade e dos ritos que se podem associar à expressão.
APCAB: Sente que a cultura portuguesa está em mudança, influenciada pela larga presença brasileira em Portugal?
RCB: Mal de nós se assim não fosse. Não tenho o mínimo complexo em assumir que é desejável que essa influência, que dura há centenas de anos, se mantenha e reforce. Uma cultura quer-se viva e efervescente de misturas. Perde quem se fecha e cristaliza, não quem recria pelo contacto com o outro. E depois, em muitos aspectos, estamos todos a olhar-nos ao espelho, um espelho matreiramente alterado que nos oferece multiplas delícias.
APCAB: Candomblé, Orixás, Yemanjá. São palavras familiares?
RCB: Uma infância/juventude influenciada por programas de televisão brasileiros – novelas brasileiras (nomeadamente adaptações de Jorge Amado) – e pela musica popular brasileira levaram a que desde muito cedo o léxico referido me tenha sido familiar. Da mãe de santo ao saravá. Só teve um defeito essa familiariada: durante uns tempos andei enganado pensando que a cultura brasileira (contexto em que encontrei essa simbologia) era a da Baia e tem mais Brasil que isso, certo?
Como se diz lá na minha terra: bem hajam!
Tags: entrevistas
Abril 03 2009 11:22 am | entrevistas





