Nessa cidade todo mundo é d’Oxum
Homem, menino, menina, mulher
Toda gente irradia magia
Presente na água doce
Presente na água salgada
Presente na água doce
Presente na água salgada
E toda cidade brilha
Seja tenente ou filho de pescador
Ou importante desembargador
Se der presente é tudo uma coisa só
A força que mora n’água
Não faz distinção de cor
E toda cidade é d’Oxum
É d’Oxum
É d’Oxum
Eu vou navegar
Eu vou navegar nas ondas do mar
Eu vou navegar nas ondas do mar
Os toques de atabaque, os ritmos quentes africanos ou sambados brasileiros, fazem parte do riquíssimo património cultural afro-brasileiro. No video vemos o professor Zézinho Kabake da Escola de Curimba e Arte Umbandista Nilton Fernandes e Eduardo JC, tocando “samba de caboclo” também conhecido como “toque de cabula”.
O “bumba-meu-boi” é uma das mais tradicionais manifestações populares e culturais brasileiras. As suas raízes estão no Ciclo do Gado, no século XVIII, e nas relações raciais marcadas pelas desigualdades entre senhores dos engenhos e servos da senzala. Contado e recontado através dos tempos, na tradição oral nordestina, e depois espalhada pelo Brasil, a lenda fundadora adquire contornos de sátira, comédia, tragédia e drama, conforme o lugar em que se inscreve, mas sempre levando em consideração a estória de um homem e um boi, ou seja, o contraste entre, por um lado, a fragilidade do homem e a força bruta do boi e, por outro lado, a inteligência do homem e a estupidez do animal.
Do ponto de vista teatral e estético, o folguedo deriva da tradição portuguesa e espanhola, não só do ponto de vista do desfile como ainda na representação, reconstituindo permanentemente a tradição encenarem peças religiosas de inspiração erudita, mas destinadas ao povo para comemorar festas católicas nascidas na luta da Igreja contra o paganismo. Esse costume foi retomado no Brasil pelos Jesuítas em sua obra de evangelização dos indígenas, negros e dos próprios portugueses aventureiros e conquistadores no catolicismo, por meio da encenação de pequenas peças.
Como dança dramática, o bumba-meu-boi adquire através dos tempos, algumas características dos autos medievais, o que lhe dá o seu caráter de veículo de comunicação. Simples, emocional, direto, linguagem oral, narrativa clara e uma ampla identificação por parte do público, tomando semelhanças com a comédia satírica ou tragicomédia pela estrutura dramática dos seus personagens alegóricos, os incidentes cômicos e contextuais, a gravidade dos conflitos e o desenlace quase sempre alegre, que funciona como um processo catártico.
A presença africana em Portugal não é um dado novo. Na verdade a nossa historiografia tem anulado cuidadosamente – herdando tal metodologia do Estado Novo e da definição de raça – toda a memória dessa presença e da escravatura, na exaltação clara da nossa história gloriosa. Em Fazendas de Almeirim, Ribatejo, existe uma zona chamada Paços dos Negros, relembrando a presença africana nessa região:
Estendendo-se por uma faixa de terreno, o lugar de Paço dos Negros pertence à freguesia de Fazendas de Almeirim, encontrando-se situado entre a sede da freguesia e a Ribeira de Muge, num lugar conhecido por Casal dos Frades. Foi precisamente junto a esta Ribeira de Muge, Muja ou Mugem, nome por que era conhecida que existiu uma residência real, mandada edificar por D. Manuel I a qual inicialmente teve o nome de Paço da Ribeira de Muge ou só Paço de Muge, passando, mais tarde à designação de Paço dos Negros da Ribeira de Muge. A inclusão da palavra “negros” deve-se ao facto do Rei Venturoso ter enviado para lá alguns escravos negros que passaram, então, a utilizar as dependências do Paço e por lá viveram durante muito tempo, chegando a constituir família e dando origem a sucessões. Esta designação foi adoptada nas cartas de nomeação de almoxarife e noutros documentos como se encontram com referências ao almoxarife Estêvão Peixoto “Foi almoxarife dos Paços da Ribeira de Muge a que chamarão dos Negros”.
Oríkì é uma palavra Yorùbá que designa textos orais (uma vez que a primeira gramática foi publicada por Samuel Ajayi Crowthe, bispo anglicano, em 1843) de grande tradição. Estes Oríkìn têm um valor normalmente religioso-sagrado, uma vez se que referem à ancestralidade e particularidade das divindades Ìmolè e/ou Òrìsà. Os Yorùbá acreditam que o nome da pessoa tem a ver com a sua essência espiritual, razão pela qual os nomes são atribuídos com grande cuidado. Um tipo especial de nome é Oríkì (neste caso, poesia ou texto poético), que é melhor descrito como nome afectuoso ou carinhoso. A crença é que chamar uma pessoa por seu Oríkì é inspirá-lo, uma vez que vai apaziguar seu Orí (cabeça).
INTRODUÇÃO. O património oral veiculado através das cantigas e rezas sagradas constituem parte significativa da identidade cultural de um povo.É o património imaterial a mais rica herança de uma civilização. Tratando-se os Yorùbá (iorubá) de um povo profundamente religioso, em que o sagrado e o profano se mesclam no quotidiano, e ainda mais sabendo que os mais de dez mil anos de fé fazem do Isin Imole/Orisa um caso quase único de longevidade religiosa activa e que a Diáspora da religião Yorùbá toca os quatro cantos do globo, importa conhecer o que dizem alguns dos versos sagrados em louvor dos deuses.
Divindade: Èsù (Exú) Representação: mensageiro entre o mundo dos Deuses e dos Homens, guardião de cidades e vilas, senhor dos caminhos. Saudação: Èsù yè, Laróyè! (Viva Èsù!)
Èsù wa jú mòn mòn ki wò Odára
Laróyè Èsù wa jú wò mòn ki wò Odára
Èsù awo.
Exu nos olha no culto e reconhece, sabendo que o culto é bom,
Laroyê Exu nos olha no culto e reconhece sabendo que o culto
é bonito, vamos cultuar Exu.
A jí kí Bàrabo e mo júbà, àwa kò sé
A jí kí Bàrabo e mo júbà,e omodé koèkó ki
Bàràbo e mo júbà Elégbàra Èsù l’ònòn.
Nós acordamos e cumprimentamos Barabo,
A vós eu apresento meus respeitos,
Que vós não nos façais mal.
Nós acordamos e cumprimentamos Barabo,
A vós eu apresento meus respeitos.
A criança aprende na escola
Que a Barabo eu apresento meus respeitos, ele é
Senhor da Força, o Exu dos caminhos.