Archive for the 'Identidade Afro-Brasileira' Category

√ O poder da palavra

Naturalmente, o poder da palavra de um homem depende de como ele utiliza sua fala. O poder criador e operativo da palavra encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem, no mundo que o cerca e na relação entre o homem e o mundo. Por isso a mentira é considerada uma verdadeira lepra moral. A língua que falsifica a palavra vicia o sangue daquele que mente. Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo, rompendo a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica. Cria desarmonia ao redor de si e em seu próprio interior.

# Ronilda Iyakemi Ribeiro in “Alma Africana no Brasil”, p.46

Janeiro 18 2010 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Guélédé

o espetáculo gueledé originou-se em Keto, onde Iyá Nlá praticava uma dança com uma escultura na cabeça, a qual atraía a atenção de muitas mulheres e crianças. Quando Iyá Nlá morreu, a obrigação de continuidade da dança ficou a cargo do seu marido, Babá Abọrè. De forma fantástica, logo depois que Babá Abọrè fez a apresentação, a prosperidade de sua comunidade mudou drasticamente para melhor: mulheres inférteis tornaram-se mães; os campos deram colheitas fartas; os caçadores e pescadores abatem muitos animais; as doenças deram lugar à saúde e houve uma redução significativa da mortalidade infantil. Então, os anciãos dedicaram um templo a Iyá Nlá e imploraram a Babá Abọrè que fizesse a apresentação anualmente. Depois que Abọrè morreu, uma estátua sua foi colocada ao lado da de Iyá Nlá, no mesmo altar. Assim, tornou-se uma tradição que as máscaras dancem em pares masculino-feminino, remetendo a esse casal mítico.

# JUNIOR, Ademir Ribeiro. Parafernália das mães-ancestrias (…), Univ. São Paulo

Dezembro 15 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A mulher Yorùbá (2)

(…) Na organização dos reinos fons e nagô-ioruba, as mulheres desempenham um papel ativo, eram elas que administravam o palácio real, assumindo os postos de comando mais importantes, além de fiscalizarem o funcionamento do estado.

Silveira (2000)

Outubro 06 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A mulher Yorùbá – casamento e fé

(…) Na organização social ioruba, que é polígama, contrariamente ao conceito que pessoas mal-informadas fazem, as mulheres usufruem uma maior liberdade que a que se dá nas uniões monigâmicas. Na grande casa familiar do esposo, elas são aceitas como progenitoras dos filhos, destinadas a perpetuar a linhagem familiar do marido. Mas elas nunca aí são totalmente integradas, deixando-lhes esse fato uma certa independência. Após o casamento, elas continuam a praticar o culto de suas famílias de origem, embora seus filhos sejam consagrados ao deus do cônjuge.

Pierre Verger (1986)

Outubro 06 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ A Mulher Yorùbá

(…) Percebe-se, assim, que o papel da mulher ioruba vai além do desempenhado nas atividades econômicas. Ela é mediadora, não só da troca de bens econômicos, como também de bens simbólicos. O lugar social ocupado pela mulher ioruba, sem sombra de dúvida, possibilita-lhe o exercício de um poder fundamental para a vida africana.

“Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu” Teresinha Bernardo

Outubro 03 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Mucanda Cangongo

Mucanda Cangongo é um ritual africano de tradição bantu que terá sido introduzido pelo povo Lemba, uma tribo africana que se assume como uma das tribos perdidas de Israel, que teria migrado para África e se teria mesclado com os Lundas e Quiocos. O Mucanda Cangongo tem lugar entre Maio e Agosto, por ocasião da Lua Nova e dura um ano, tomando parte do rito rapazes entre os 8 e 18 anos. O Mucanda Cangongo, como se entende, é um ritual de passagem da fase jovem para a adulta, um momento simbólico e universal cultural, conhecido por fase da adolescência, e constitui-se da circuncisão, razão que fundamenta a sua origem judaica.

O Mucanda Cangongo consiste ainda na transmissão de ensinamentos espirituais e materiais – caraterísticos deste ritos de passagem – que jamais podem ser transmitidos para fora do âmbito do rito sob pena de morte. Durante o período iniciático os jovens são chamados de Ovidandas e formam um grupo de cinquenta de cada vez, perdendo ainda o seu nome de nascimento e recebendo um novo nome, pelo qual passarão a ser chamados.

O chamamento para o Mucanda Cangongo é feito através de tambores que acompanham cada novo iniciado desde a despedida da família até se juntarem ao grupo, sendo que eles nunca partem sozinhos, levando um familiar que os acompanhará durante todo o processo. O novo grupo é recebido pelo Soba, o chefe ritual, que os faz entrar na Bamba, espaço ritual acompanhado cada qual de seu parente, que funciona como uma espécie de padrinho litúrgico, para além de entrarem os quibandeiros, os curandeiros da comunidade.

Após a entrada na Bamba, sob intenso barulho de gritos e música, os Ovidandas são agarrados pelos ajudantes dos Kibandas, e submetidos então à circuncisão, com uma faca própria do ritual. O som dos tambores e os gritos dos homens servem para abafar os gritos de dor dos Ovidandas, impedindo os que esperam a sua vez de temerem. No exterior da Bamba, nas aldeias, são tocados os Gomas e Chifungos, anunciando que decorre o Mucanda Cangongo.

Depois de feita a circuncisão o sangue é estancado por uma mistura de Cimá (cinza) e Efum (farinha de mandioca). Em seguida os Ovidandas são encaminhados para fora do Bamba, pelo parente encarregue deles, até uma cacimba ao ar livre, onde bebem Bemba, e ficam toda a noite acordados.

Após um ano de iniciação, é dia de batuque, comemoração do regresso dos novos homens, dia no qual os rapazes regressados têm o direito de experimentar os prazeres sexuais, podendo assim escolher a mulher desejada, uma fez que já são oficialmente adultos.

Agosto 21 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Yorùbás.

Somente entre 800 e 1000 a.C., os Yorùbás, que viviam na região florestal, área agrícola do Oeste da África, desenvolveram uma sociedade urbana organizada em torno de pequenas cidades-estados ou reinos localizados no que é hoje a parte ocidental do estado da Nigéria e parte do Togo e Benin. Os mais famosos desses reinos Yorùbás são Oyo e Ile-Ife. (Ray, 2000:28).

Agosto 03 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

√ Quem pariu a cultura afro-brasileira?

Na discussão sobre a identidade afro-brasileira cabe sempre a velha questão: de todos os povos africanos qual foi afinal aquele que mais contribuiu para a construção de uma identidade brasileira de raiz africana? As respostas são tão díspares quanto a própria natureza dos inquiridos. Os mais apaixonados, mais próximos ou descendentes da cultura Bantu (de que podemos citar o ilustre historiador angolano Simão Souindoula, Vice-Presidente do Comité Científico Internacional do Projecto da UNESCO “A Rota do Escravo”) dirão que foram esses negros angolano-congoleses do velho reino Bantu que mais marcaram a identidade afro-brasileira, com os seus termos e vocábulos de maior circulação e mais enraizados no quotidiano brasileiro,  com o semba e a capoeira. Os que preferem, adotaram ou descendem da cultura jeje-nàgó dirão que foram estes os que mais contribuíram para a formação dessa identidade. Chegados em plena construção de espaços urbanos, com uma memória étnica e religiosa mais fortes, foram fundamentais na construção do Candomblé, com os seus Orixás e Voduns, com o seu jogo-de-búzios erindinlogun, com seus ilus e agogôs.

As perspetivas alternam-se. Seja como for falamos de planos de influência que se materializaram de forma distinta. A cultura bantu aportou ao Brasil trezentos anos antes da nagô e marcou a luta quilombola e as grandes manifestações artísticas afro-brasileiras: samba e capoeira. Já a cultura jeje-nagô foi determinante no plano religioso, com o Candomblé a ser estruturado a partir dos padrões destes últimos, sendo que mesmo o Candomblé Congo e Angola se limitou a reproduzir o ethos nagô numa perspetiva e numenclatura bantu.

{foto do arquivo do jornal ‘A Tarde’}

Julho 22 2009 | Identidade Afro-Brasileira | No Comments »

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