√ Quinto Império, reconstruir
A filosofia portuguesa é fecundada em consanguinidade com o espírito poético. O espírito poético português tem sempre na essência a voz colectiva da dimensão fatalista mas também metafísica e espiritual. A herança dos Descobrimentos deixou ao país um vazio saudosista de um país que foi e já não é. Conhecemos “O Império do Futuro” como a promessa de reerguer Portugal e fazer do mundo um império de lusitana voz e identidade.
O saudosismo turva-nos a visão e a mente e não somos capazes de ver o que se nos atravessa à frente. Portugal perdeu o seu império colonial mas deixou um valor superior – a herança linguística. Pelos quatro cantos do mundo é possível ouvir falar português, nas suas diferentes manifestações, mas ainda assim português. E o que tem sido feito em defesa dessa diáspora linguística? Muito pouca coisa.
A constituição formal da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), em 1996, resulta de uma consciência de partilha de uma mesma língua. Daí para cá, a CPLP não tem passado de uma inóspita e inactiva liga de cavalheiros. O Acordo Ortográfico simboliza um passo em frente na consciencialização do devir permanente do mundo globalizado e não-polar. Todavia, a aproximação estratégica está longe de ser consensual. As populações continuam reticentes em relação às mais-valias de um acordo linguístico. Que tem, acima de tudo, um valor político estratégico.
A reconstrução de um Império da Língua Portuguesa no mundo, passa por uma aproximação entre todos os países lusófonos, e requer, uma abertura equitativa a todos os países-membros da CPLP. A Lusofonia não é mais uma propriedade do Estado Português.
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Fevereiro 17 2009 11:54 am | Acção Política e Social




