√ Os limites do diálogo intercultural
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stamos a chegar ao fim do «Ano Europeu para o Diálogo Intercultural» e torna-se imperativo questionar: terá alguém dado pela comemoração? É aceitável admitir que a calendarização da comemoração tem mais de oportunismo simbólico do que de motivação imperativa. Sem ter sido feita uma larga explanação mediática, sem ter educado os media para a simbologia e importância de uma cobertura intensa de todas as actividades que promovam o diálogo intercultural, o Ano Europeu para o Diálogo Intercultural revelou-se limitado no seu campo de aceitação social. Sabendo que os meios de comunicação social prefere o insólito e sensacional à construção de uma agenda cultural.
O projecto revelou-se, em Portugal, um nado-morto. As instituições públicas e privadas com responsabilidade na área sócio-cultural demitiram-se de tarefas que promovessem esse novo paradigma internacional que é o diálogo intercultural ou multiculturalismo positivo. Sentiu-se um grave desinteresse das instituições e organismos nacionais e internacionais. A concentração em torno do choque de civilizações entre o mundo ocidental e o mundo islâmico limitou totalmente o campo de acção do diálogo intercultural.
Num país cuja sociedade é hoje uma manta de retalhos étnicos, o desinteresse público no apoio a causas multiculturais é sinónimo de um complexo social de preconceito camuflado. As políticas culturais do Ministério da Cultura e instituições de grande campo de actuação e repercussão social negligenciaram o diálogo intercultural, tratando o tema como aspecto cultural menor.
Avançamos rapidamente para um país que se demite da educação, da formação cultural e cívica dos cidadãos. A pretexto de outras causas ei-los que metem as mãos nos bolsos e nada fazem.
Tags: Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, multiculturalismo, Portugal
Novembro 12 2008 12:27 pm | Acção Política e Social


