
O crescimento das igrejas salvacionistas no Brasil, de natureza evangélica, tem promovido o preconceito e a perseguição religiosa face às religiões de matriz afro-descendente no Brasil, recuperando um clima de temor que imperou durante séculos no seio das comunidades religiosas do Candomblé (em maior grau do que a Umbanda, nascido em clima de maior abertura). A ausência de uma instituição central representativa do Candomblé e a falta de reconhecimento do Candomblé como religião por parte do governo brasileiro (diferentemente do que acontece em Portugal, onde existe um órgão central que conquistou o reconhecido do Candomblé como religião – Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá) levam a que os fiéis do Candomblé e a própria religião continuem a estar associados a práticas demoníacas.
É necessário, pois, que o Estado Brasileiro promova uma política de controlo e combate à perseguição religiosa de que os cultos afro-brasileiros são ainda alvos privilegiados. Sítios na internet como o Intellectus, que demonizam e violentam verbalmente as religiões de matriz africana, deveriam ser encerrados. É preciso fazer mais e melhor no combate pela igualdade religiosa.
imagem via: http://herculano-coisasdobrasil.blogspot.com
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&client=firefox-a&hs=017&rls=org.mozilla%3Apt-PT%3Aofficial&q=comunidade+portuguesa+do+candombl%C3%A9+yoruba&aq=f&aqi=&aql=&oq=&gs_rfai=
Tags: Candomblé, Resistência e Preconceito
Agosto 31 2010 | Acção Política e Social | No Comments »
ÌGBÁ ÁBÍDÍ N#3
TÍTULO: Olódùmarè: da semântica à teologia do Ser-Supremo
AUTOR: João Ferreira Dias
RESUMO: O presente artigo propõe-se revisitar um dos mais complexos dogmas da teologia yorùbá: a figura do Ser-Supremo, chamado vulgarmente de Olódùmarè ou Ọlọ̀run, através de diferentes discursos em diferentes períodos, colocando teses em confronto, na procura de uma resposta para a questão central: o que é Olódùmarè e qual é o seu significado na teologia yorùbá?
Palavras-Chave: Yorùbá, Olódùmarè, Ọlọ̀run, Ser-Supremo, Semântica
RESUME: It is propose of this article revisit one of highest complex yorùbá theological dogma’s: the figure of the Supreme-Being, usually called Olódùmarè or Ọlọ̀run, threw the different speeches in different periods, putting thesis in confrontation, searching for an answer to a central question: what is Olódùmarè and what is his meaning to the yorùbá theology?
KEYWORDS: Olódùmarè, Ọlọ̀run, Supreme-Being, Semantic
EXCERTO:
Olódùmarè, vimos, traduz-se por “aquele que detém o conhecimento do poder sagrado do arco-íris”. Sabemos também que o arco-íris em yorùbá é Òṣùmarè. Ora, Òṣùmarè é uma divindade do panteão yorùbá ligada à riqueza, ao arco-íris, às chuvas, à manutenção das partículas que compõem o mundo, representado ainda por uma cobra, em especial a jibóia, sendo que o seu culto no território Mahí (território de origem ou de expansão) e em todo o Dahomé era tido como o mais alto culto até ao reinado de Tegbesu (1732-1774), altura em que Dan foi substituído na hierarquia dos deuses pelo casal Mawu-Lisa, corruptela linguística e teológica do casal Yèmówó-Òrìṣànlá.
Tags: Ìgbà Ábídí
Agosto 24 2010 | Ìgbà Ábídí | No Comments »
Bahia de todas as Áfricas A trajetória dos líderes e devotos do candomblé do século XIX revela que a história das religiões afro-brasileiras é, sobretudo, a de crescente mistura étnica e social
João José Reis
Foi na Bahia do século XIX que ficou estabelecido o modelo básico adotado pelo candomblé que conhecemos hoje. Segundo a tradição, o Ilê Iya Nassô – a Casa de Mãe Nassô, popularmente conhecido como Candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca – teria sido o primeiro a celebrar diferentes deuses simultaneamente sob o mesmo teto. Essa prática refletiria alianças entre grupos étnicos diferentes, contribuindo para a consolidação de novas identidades africanas em terras brasileiras.
Mas teria sido aquele terreiro o único com essas características no ambiente que o viu nascer? Pouco se sabe sobre a história das religiões afro-brasileiras no século XIX, inclusive sobre os indivíduos e grupos envolvidos. É a respeito de líderes, acólitos, devotos e clientes que vamos falar aqui. Informações sobre homens e mulheres participantes de formas diversas nesses rituais aparecem basicamente em dois tipos de fontes, os registros policiais e as notícias de jornal. Esses documentos eram produzidos por indivíduos que, em geral, não eram iniciados no candomblé, não tinham interesse nele como tema de pesquisa, curiosidade ou lazer, e que o estavam perseguindo e/ou condenando. Por isso, as informações que apresentam são quase sempre incompletas, distorcidas ou simplesmente equivocadas. Apesar disso, elas revelam muito das práticas e dos praticantes ligados aos cultos de origem africana ao longo do século XIX.
Tags: Bahia, Candomblé
Agosto 24 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
A vasta obra composta sobre as religiões afro-brasileiras, desde os clássicos como Bastide até aos dias de hoje, têm reafirmado e transportado a ideia de que o compósito que constituiu o Candomblé da Barroquinha é uma inovação totalmente africana, alicerçada na fórmula da agregação de diferentes Orixás num mesmo espaço-templo. Contudo, a repisagem do mesmo discurso tem servido para impedir leituras mais profundas. Importa pensar no fenómeno como africano.
Tags: Candomblé, Yorubás
Julho 29 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
(…) Olódùmarè is used in the Yoruba translation of the Bible for the words “almighty”, “omnipotent” (…). The name indeed strongly implies “almightiness” and “omnipotence”; but is not just a descriptive title of the Deity. It is the real Yoruba name for Him. (…) The name is made up of two words, with a prefix, thus: OL-ODÙMARÈ. The prefix Ol results from the ellision of the vowel “i” from Oní, which means “owner of”, “lord of”, or “one who deals in” (…). Of the two main components of the name Olódùmarè, the key one is ODU. Thus it may be Odù which is a substantive meaning “a main heading or chapter” as in the corpus of Ifá recitals, “chief head” or “chief” as in the title Odùgbẹ̀dẹ which means “The Chief of the smiths” (…). Or it may be Òdù, also a substantive meaning “very large and deep pot (container)”, “the full cell in the board of ayò[1]” from the analogy of which it is said of a person Òdùrẹ̀kún “his Òdù is full”, meaning that “He has blessing in abundance” (…) Òdù is also used as an adjective with the meaning “very large”, “very extensive”, “very full” (…). The word is said to be a contraction of the phrase-name Olódù ọmọèrè – “Olódù, the offspring of the boa”. This suggestion is based upon a myth which derives from the natural phenomenon of the rainbow. The Yoruba believe, generally, that the rainbow is produced by a very large boa: the reptile discharges from its inside the sulphureous matter which sets all its surroundings aglow and causes a reflection. Which is the rainbow (Òṣùmarè), in the sky.[2]
[1] jogo yorùbá semelhante ao xadrez e às damas.
[2] IDOWU, Bọlaji. Olódùmarè: God in Yoruba Belief. London, Longmans, 1962, pp. 33-34
Tags: religião, Yorubás
Julho 27 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »

Nina Rodrigues, médico e psicólogo bahiano do século XIX, publicou entre 1896 e 1897, um conjunto de textos apelidado de “O Animismo Fetichista Dos Negros Baianos”. Essa e outras tantas obras serviram de plataforma para a construção de uma ideia de que as crenças africanas eram ridículas e primárias. O termo «fetiche», sabemos, foi empregado pela primeira vez por Charles de Brosses, em 1757, e traduz-se pela atribuição de poderes sobrenaturais a objetos e coisas. Sabendo que a cultura material tradicional (termo preferível face a primitivo) se reporta quase invariavelmente aos símbolos religiosos, apresenta-se como natural o culto a imagens como símbolos de força, energia vital ou representação de heróis e deuses. O oxê (machado de Xangô) é um símbolo, normalmente talhado a madeira, usado como representação do quarto alafin (monarca) de Oyó, Xangô, que mais tarde veio a ser um ancestral divinizado. Todavia, o oxê não é Xangô, mas é um objeto integrante do culto a esta divindade, ao qual é atribuído representatividade.
Contudo, a ideia de fetichismo permaneceu ligada às expressões religiosas tradicionais, ao passo que a iconolatria se instituiu como termo adaptado às religiões do livro. O fetichismo dos negros tornou-se então paradigma de análise do culto das imagens sob uma perspetiva de ilusão, primitiva expressão de fé e falso culto.
Graças ao predomínio do modelo religioso e filosófico cristão-ocidental, jamais o culto dos santos e das imagens católicas foram alvo de uma abordagem do ponto de vista do fetichismo. Construindo a narrativa ao contrário poderemos falar num “fetichismo dos brancos católicos”? Penso que sim. O culto dos altares e dos santos de gesso ou madeira enquanto expressão de uma ideia de santidade e estereotipias humanas, constitui, visto de fora, uma relação entre sujeito (crente) e objeto (altares, santo) alicerçada numa ideia de probabilidade: o crente pressupõe que a reza a objetos aos quais atribui valor religioso traduzirão perante a metáfora superior do supreme-being os seus ansejos e receios. Ao mesmo tempo, o culto permanente e em inúmeros casos de feição doméstica – tal como ocorre com os altares e os santos – dos crucifixos, comporta a expressão máxima de fetichismo, porquanto representa a crença nos poderes sobrenaturais de uma imagem de madeira ou metal. Nesse sentido, o fetichismo católico trata-se de um etnema expresso quer pelos crucifixos, quer pelos santos nos altares, que revela uma crença também ela fundada nos poderes possíveis de objetos aos quais são atribuídos valores sobrenaturais.
© imagem – pedro_léo
Tags: religião, Resistência e Preconceito
Julho 17 2010 | Religiosidade Afro-Brasileira | No Comments »
A fim de se proceder à publicação do terceiro número da revista «gbà Ábídí – África e Diáspora: Política, Cultura, Religião», solicita-se o envio de artigos até à data de 31 de Julho de 2010, segundo as seguintes regras:
1. artigos em português, espanhol ou inglês.
2. artigos com máximo de 35 páginas em formato A4, espaço entrelinhas de 1.5, em fonte Times New Roman tamanho 12, e deve ser enviado em arquivo anexado via e-mail, de preferência em formato Documento Word.
3. artigos deverão conter resumo e palavras-chave em na língua materna e numa das outras duas línguas estrangeiras aceites.
4. resenhas com mínimo de duas páginas e máximo de oito páginas, em Times New Roman tamanho 12, entrelinha 1,5.
5. artigos deverão conter título na língua materna e numa das outras duas línguas estrangeiras aceites.
6. a bibliografia é obrigatória e deverá cumprir as normais regras de elaboração.
7. a presença de fotografias/imagens deverá conter legendagem e fonte. 8. nota biográfica do autor.
Os mesmos deverão ser remetidos para o seguinte endereço de correio eletrónico: igbaabidi@gmail.com
Tags: Ìgbà Ábídí
Julho 11 2010 | Ìgbà Ábídí | No Comments »
A APCAB apoia a Semana da Gastronomia Bahiana no Hotel Tivoli em Lisboa, através da cedência de acervo e montagem de pequena exposição alusiva ao tema. Trajes de Candomblé e da Bahia e instrumentos musicais estarão disponíveis ao público de 5 a 11 de Julho.





Tags: Agenda Cultural
Julho 06 2010 | Agenda Cultural | No Comments »
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